CENÁRIOS-Economia frágil e Lava Jato levam bancos brasileiros a ciclo desafiador

quinta-feira, 14 de maio de 2015 17:22 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O ciclo de lucro crescente apoiado no crédito de baixo risco acabou para os maiores bancos brasileiros no primeiro trimestre, e o escrutínio do mercado sobre a habilidade deles em manter a qualidade da carteira tende a crescer, à medida que a recessão do país e os efeitos da Operação Lava Jato se aprofundam.

Os indicadores antecedentes de inadimplência subiram de forma generalizada. Os bancos argumentam que a alta foi sazonal e que não deve reverberar em piora do índice acima de 90 dias, para o qual a previsão é de estabilidade

O discurso, no entanto, contrasta com a prática. O Santander Brasil foi o único a provisionar menos para calotes no primeiro trimestre. Já Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco provisionaram juntos mais de 15 bilhões de reais, um aumento de 33,6 por cento ano a ano.

Para analistas, em linhas gerais os resultados do primeiro trimestre foram protegidos pelo mix de crescimento forte das linhas de crédito consideradas mais seguras, que exigem menos provisões, e a alta da taxa básica de juro Selic, que os beneficiou duplamente, tanto nos ganhos robustos com tesouraria quanto nos spreads maiores nos empréstimos.

"Os bancos estão vivendo o final de um ciclo benigno, de redução do risco da carteira e alta da Selic, e começando outro, cuja extensão dos problemas nós não sabemos", disse à Reuters o analista Carlos Macedo, do Goldman Sachs.

"Os modelos de crédito nunca foram submetidos ao que enfrentarão agora", adicionou Macedo, mencionando a conjuntura de desemprego em elevação e a reverberação da Lava Jato, que investiga denúncias de sobrepreço em contratos da Petrobras com empreiteiras.

Desde o começo do ano, quatro grandes construtoras já pediram recuperação judicial e várias outras têm reclamado de atrasos nos pagamentos da petroleira estatal.

No começo de 2015, em entrevista à Reuters, o diretor de Controladoria e de Relações com Investidores do Itaú Unibanco, Marcelo Kopel, afirmara que o banco estava acompanhando os possíveis reflexos da Lava Jato na cadeia de fornecedores.   Continuação...