15 de Maio de 2015 / às 16:33 / em 2 anos

Fibria segue atenta a oportunidades de consolidação, mesmo com expansão no MS

SÃO PAULO (Reuters) - O investimento de 7,7 bilhões de reais da Fibria para ampliar sua capacidade de produção de celulose no Mato Grosso do Sul não vai impedir a companhia de continuar atenta a oportunidades de consolidação em um mercado que considera ainda muito fragmentado, disse o presidente-executivo da companhia, Marcelo Castelli, nesta sexta-feira.

“Continuamos acreditando e abertos ao cenário de consolidação. Evidentemente, dada a envergadura do projeto, a administração tem que focar nos primeiros momentos no encaminhamento do projeto, o que não inibe eventuais inícios de conversas”, disse Castelli em teleconferência com analistas.

“A consolidação é saudável para a indústria. Mas isso leva tempo (...) A Fibria continua preferindo rota de crescimento através de consolidação de capacidade”, afirmou o executivo. Ele, porém, foi categórico: “Se alguém adicionar capacidade, a gente vai adicionar também, para termos mais musculatura para fazermos ‘M&As’ (consolidação) futuros.”

Na quinta-feira, o Conselho de Administração da Fibria aprovou o investimento que fará com que a capacidade de produção de celulose da companhia no Brasil cresça de 5,3 milhões de toneladas para cerca de 7 milhões de toneladas no final de 2017. Já em comercialização, a capacidade chegará a cerca de 8 milhões de toneladas.

A aprovação do projeto de expansão, após meses de estudos, ocorreu cerca de uma semana depois que a Fibria anunciou um acordo comercial com a Klabin para a compra de pelo menos 900 mil toneladas anuais de celulose a partir de 2016 e da rival Eldorado anunciar o início de construção de nova linha, de 2 milhões de toneladas anuais, também no Mato Grosso do Sul.

Somando todos os projetos de expansão, o setor de celulose deve ver a entrada apenas no Brasil de cerca de 5 milhões de toneladas em capacidade produtiva adicional entre 2016 e 2018 em um momento em que um dos principais mercados mundiais, a China, atravessa desaceleração, algo que tem preocupado analistas da indústria sobre uma possível queda de preços da commodity nos próximos anos.

O BTG Pactual disse que o projeto da Fibria no município de Três Lagoas (MS) trará um custo caixa de produção atraente para a Fibria e que a alavancagem da companhia deve permanecer em um nível confortável, mas destacou que, embora seja uma decisão racional para os acionistas, o setor seria mais beneficiado por uma consolidação do que pelo aumento de capacidade.

Às 13h25, as ações da Fibria recuavam 2,2 por cento, maior queda entre as companhias do setor listadas na BM&FBovespa, cujo principal índice avançava 0,36 por cento no mesmo horário.

Na avaliação de Castelli, o momento escolhido para expansão a fábrica em Três Lagoas representa uma “janela de oportunidade” interessante para a maior fabricante mundial de celulose de eucalipto, dada a expectativa de manutenção dos preços da commodity perto dos níveis atuais entre 2016 e 2018 e um crescimento chinês mais voltado ao consumo privado.

Além disso, o diretor comercial da empresa, Henri Philippe van Keer, aposta que “a demanda mundial vai crescer. A China está muito melhor do que se fala e também não seria muito agressivo pensar que a Europa estará em condição ainda melhor do que hoje daqui dois a três anos”, disse o executivo.

“Esse projeto vai dar oportunidade de acompanhar o crescimento de clientes estratégicos e desenvolver outros clientes em outras regiões”, acrescentou o executivo, afirmando que 45 por cento da produção da nova capacidade em Três Lagoas será destinada para o mercado asiático.

DETALHES

Os executivos da Fibria afirmaram que não esperam que a Fibria arrisque violar cláusula de alavancagem máxima de 3,5 vezes a dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em dólares, definida em recente novo acordo de acionistas, muito menos extrapolar os 4,5 vezes acertados junto a credores.

Na realidade, a expectativa é que a empresa continue com a alavancagem perto da faixa de 2 a 2,5 por cento, disse o diretor financeiro, Guilherme Cavalcanti. A previsão decorre do forte nível de geração de caixa da companhia permitido por um cenário favorável de desvalorização do real contra o dólar, demanda aquecida, preços de celulose em alta e até mesmo a perspectiva de que os preços da eletricidade no Brasil seguirão em patamares elevados, permitindo a venda de excedente de eletricidade gerado no processo de produção da celulose.

No primeiro trimestre, a Fibria teve alavancagem de 2,3 vezes em dólares e um crescimento de 48 no Ebitda ajustado, a 1 bilhão de reais.

Cavalcanti afirmou que o orçamento de 7,7 bilhões de reais será bancado com 40 por cento de recursos próprios da Fibria e o restante financiado via mecanismos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A companhia não está avaliando emissão de dívida para ajudar a financiar o projeto.

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