Fibria segue atenta a oportunidades de consolidação, mesmo com expansão no MS

sexta-feira, 15 de maio de 2015 13:30 BRT
 

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - O investimento de 7,7 bilhões de reais da Fibria para ampliar sua capacidade de produção de celulose no Mato Grosso do Sul não vai impedir a companhia de continuar atenta a oportunidades de consolidação em um mercado que considera ainda muito fragmentado, disse o presidente-executivo da companhia, Marcelo Castelli, nesta sexta-feira.

"Continuamos acreditando e abertos ao cenário de consolidação. Evidentemente, dada a envergadura do projeto, a administração tem que focar nos primeiros momentos no encaminhamento do projeto, o que não inibe eventuais inícios de conversas", disse Castelli em teleconferência com analistas.

"A consolidação é saudável para a indústria. Mas isso leva tempo (...) A Fibria continua preferindo rota de crescimento através de consolidação de capacidade", afirmou o executivo. Ele, porém, foi categórico: "Se alguém adicionar capacidade, a gente vai adicionar também, para termos mais musculatura para fazermos 'M&As' (consolidação) futuros."

Na quinta-feira, o Conselho de Administração da Fibria aprovou o investimento que fará com que a capacidade de produção de celulose da companhia no Brasil cresça de 5,3 milhões de toneladas para cerca de 7 milhões de toneladas no final de 2017. Já em comercialização, a capacidade chegará a cerca de 8 milhões de toneladas.

A aprovação do projeto de expansão, após meses de estudos, ocorreu cerca de uma semana depois que a Fibria anunciou um acordo comercial com a Klabin para a compra de pelo menos 900 mil toneladas anuais de celulose a partir de 2016 e da rival Eldorado anunciar o início de construção de nova linha, de 2 milhões de toneladas anuais, também no Mato Grosso do Sul.

Somando todos os projetos de expansão, o setor de celulose deve ver a entrada apenas no Brasil de cerca de 5 milhões de toneladas em capacidade produtiva adicional entre 2016 e 2018 em um momento em que um dos principais mercados mundiais, a China, atravessa desaceleração, algo que tem preocupado analistas da indústria sobre uma possível queda de preços da commodity nos próximos anos.

O BTG Pactual disse que o projeto da Fibria no município de Três Lagoas (MS) trará um custo caixa de produção atraente para a Fibria e que a alavancagem da companhia deve permanecer em um nível confortável, mas destacou que, embora seja uma decisão racional para os acionistas, o setor seria mais beneficiado por uma consolidação do que pelo aumento de capacidade.

Às 13h25, as ações da Fibria recuavam 2,2 por cento, maior queda entre as companhias do setor listadas na BM&FBovespa, cujo principal índice avançava 0,36 por cento no mesmo horário.   Continuação...