Sabesp vai ampliar corte de investimentos em 2015

terça-feira, 19 de maio de 2015 13:07 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia de abastecimento de água e saneamento do Estado de São Paulo Sabesp reduzirá ainda mais investimentos de 2015 em relação ao que projetava no fim do ano passado, diante da continuação do cenário de chuvas desfavorável, reajuste tarifário menor do que o pedido pela empresa e deterioração do ambiente macroeconômico.

A companhia investiu no ano passado 3,2 bilhões de reais e vinha trabalhando com uma projeção de valor abaixo desse patamar para este ano, embora sem informar o montante.

"Estou falando de reduzir ainda mais (o investimento)", disse o diretor financeiro da Sabesp, Rui Affonso, nesta terça-feira, em teleconferência com analistas e jornalistas, mas sem detalhar números.

"Com o estresse financeiro da companhia não é responsável da parte da Sabesp manter esse nível de investimento (de 2014), mas todos os investimentos em segurança hídrica estão absolutamente garantidos", afirmou o executivo.

A Sabesp encerrou o primeiro trimestre com lucro de 318 milhões de reais, queda de 33 por cento sobre o resultado um ano antes, apesar da incidência da aplicação de sobretaxa nas contas de consumidores que elevarem consumo de água acima da média que entrou em vigor no período.

As ações da Sabesp exibiam queda de 1,8 por cento às 12h02, enquanto o Ibovespa mostrava recuo de 1,4 por cento.

Segundo Affonso, o cenário de chuvas continua desfavorável e não é possível estimar o nível de água dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo para o próximo ano. "Estamos muito longe de atravessar o deserto... Em termos de projeção para este ano a situação continua difícil e não temos condições de prever como seré 2016", afirmou.

O volume de água que chegou ao Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios da região metropolitana e que abastece também cidades do interior paulista, foi de 18,1 metros cúbicos por segundo em abril, ante uma média histórica de 48,4 metros cúbicos.

O nível do sistema nesta terça era de 9,6 por cento negativo, desconsiderando a utilização de uma segunda cota de água que precisa ser bombeada para chegar a estações de tratamento, o chamado "volume morto", ante 26,3 por cento positivo em maio do ano passado.   Continuação...