Brasil e China firmam acordos que podem superar US$53 bi e criarão fundo para infraestrutura

terça-feira, 19 de maio de 2015 19:48 BRT
 

Por Leonardo Goy e Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - Brasil e China anunciaram nesta terça-feira um amplo conjunto de acordos de comércio, investimentos e cooperação financeira que podem superar os 53 bilhões de dólares, potencialmente assegurando um fluxo de capital importante no momento em que a economia brasileira busca se recuperar.

Durante a primeira visita do premiê chinês, Li Keqiang, à América Latina, também foi anunciada a criação de um fundo de 50 bilhões de dólares destinados à infraestrutura no Brasil, pela Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês), confirmando reportagem da Reuters da semana passada.

Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Cláudio Puty, os 53 bilhões de dólares representam uma soma das intenções de investimentos dos chineses no Brasil, sendo que parte deles pode vir ou não a ser financiada pelo fundo.

Esse fundo não necessariamente vai financiar investimentos chineses, segundo um representante da Caixa, que explicou que o objetivo é financiar projetos de infraestrutura, sendo eles tocados ou não por empresas chinesas.

Em 60 dias a Caixa a o banco chinês devem apresentar a modelagem dos empréstimos e os projetos que podem vir a ser financiados, que podem incluir algumas das concessões em infraestrutura que o governo pretende lançar mês que vem.

Talvez o projeto mais importante a ser financiado pelo fundo será uma ferrovia para ligar os oceanos Atlântico ao Pacífico, reduzindo o custo do frete de exportações para a China.

"A infraestrutura será beneficiada com um projeto de grande alcance para o Brasil, para a integração sul-americana via o Peru e para o comércio com a China", disse a presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de assinatura de atos ao lado de Li.

Os estudos de viabilidade da ferrovia devem ser apresentados aos governos do Brasil, Peru e China em maio de 2016, segundo o governo brasileiro.   Continuação...

 
190/05/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino