Exportação de café do Brasil definirá mercado no país este ano, diz Três Corações

terça-feira, 19 de maio de 2015 18:23 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O volume exportado de café pelo Brasil neste ano será fator importante para determinar os rumos do mercado do produto no país, num momento em que a colheita de safra de arábica está apenas começando, disse o presidente da Três Corações, indústria brasileira líder no segmento.

Pedro Lima, que comanda a companhia que tem 22 por cento de fatia no mercado de café industrializado no Brasil, disse ainda que o tamanho da safra de grãos robusta, afetada fortemente pela seca, também será fator importante para definir os preços.

Ele estimou a produção total do Brasil (arábica e robusta) em 2015/16 em pouco mais de 50 milhões de sacas de 60 kg, um volume insuficiente para cobrir o consumo interno e as exportações.

"(O cenário de aperto nos estoques) vai depender da agressividade das exportações do Brasil. Vai depender da safra de conilon (robusta)", disse Lima, após apresentação em evento promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A associação dos exportadores, a propósito, estima as exportações totais do Brasil (grãos verdes e o produto industrializado) em 35 milhões de sacas em 2015, disse nesta terça-feira o diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga, apontando uma queda de cerca de 3,5 por cento nos embarques ante o volume recorde de 2014.

O consumo interno do Brasil é estimado em pouco mais de 20 milhões de sacas ao ano.

Essa situação de déficit na oferta, acrescentou o diretor-geral da Organização Internacional do Café (OIC), o brasileiro Robério Oliveira Silva, deverá colaborar para um consumo de estoques globais do produto, na medida em que o Brasil é o maior produtor e exportador global.

A OIC não faz estimativas de safra e trabalha com os números do governo brasileiro, cuja estimativa atual aponta para uma safra de cerca de 45 milhões de sacas em 2015, com pouca diferença ante a temporada passada, fortemente afetada pela seca em 2014.

Segundo Silva, uma segunda safra consecutiva relativamente fraca do Brasil, conforme apontam números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), levará um déficit na oferta no Brasil e no mundo.   Continuação...