Produção de etanol do CS será recorde; fabricação de açúcar cai

quinta-feira, 21 de maio de 2015 16:19 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - O centro-sul do Brasil produzirá 31,8 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, queda de 0,6 por cento ante o ciclo anterior, enquanto a produção de etanol será recorde, com um tempo mais favorável para os canaviais em relação à safra passada, previu nesta quinta-feira a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

A produção de etanol terá aumento anual de 4,3 por cento, atingindo 27,28 bilhões de litros, superando a marca histórica da safra passada, com usinas destinando mais cana para a produção do biocombustível, mais remunerador que o adoçante, de acordo com a primeira projeção da Unica para a temporada iniciada oficialmente em 1º de abril.

O patamar histórico, entretanto, não espelha a grave crise pela qual passa boa parte das indústrias, afetadas por adversidades climáticas nos últimos anos, aumento de custos e elevado endividamento, que levou 67 usinas à recuperação judicial, segundo a Unica.

A moagem de cana do centro-sul, que tem respondido nos últimos anos por aproximadamente 90 por cento da produção de cana do Brasil, deverá somar 590 milhões de toneladas, alta de 3,3 por cento ante a fraca safra passada, atingida em 2014 por uma seca praticamente sem precedentes em Estados como São Paulo e Minas Gerais. O volume previsto, no entanto, ficará abaixo do recorde da safra 2013/14, de 597 milhões de toneladas.

Esse aumento da moagem ante 2014/15 decorre especialmente da expectativa de maior produtividade agrícola da lavoura a ser colhida na safra 2015/2016, devido a melhora nas condições climáticas, apesar dos baixos investimentos feitos nos canaviais por um setor, de maneira geral, abalado por problemas financeiros.

"A retração na renovação dos canaviais no último ano e o consequente envelhecimento da lavoura devem ser mascarados pelo regime hídrico mais adequado ao crescimento da planta observado no início de 2015", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em comunicado.

Segundo Padua, o setor precisaria reformar 1,5 milhão de hectares de canaviais por ano, o que não tem acontecido.

"Então precisaríamos de 10 bilhões de reais por ano para investir em replantio. As linhas do BNDES nunca passaram de 4 bilhões. Às vezes, não chegou à metade disso", disse Padua a jornalistas, ressaltando que muitos canaviais estão envelhecidos.   Continuação...