Corte no Orçamento será de quase R$70 bi; Educação terá redução de R$9 bi

sexta-feira, 22 de maio de 2015 13:34 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os cortes no Orçamento da União de 2015 a serem anunciados na tarde desta sexta-feira somarão quase 70 bilhões de reais, de acordo com duas fontes do governo, e a área de Educação será uma das mais atingidas.

O bloqueio de verbas do Orçamento da União em recursos movimentados pelo Poder Executivo vai abranger todos os ministérios e órgãos federais, abarcando gastos com o custeio da máquina, projetos sociais, educação, saúde e obras de infraestrutura, incluindo investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do programa Minha Casa Minha Vida, segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters.

"O governo vai cortar 50 bilhões de reais na carne", disse a fonte, falando em condição de anonimato, acrescentando que outros 20 bilhões de reais serão por emendas parlamentares bloqueadas.

Um dos maiores bloqueios será feito na Educação, área prioritária do governo da presidente Dilma Rousseff, com contingencimento de cerca de 9 bilhões de reais. "Pela primeira vez, haverá um grande corte na Educação", informou a mesma fonte.

No ano passado, os programas de Educação estiveram entre as principais âncoras da campanha de reeleição de Dilma.

O bloqueio total no Orçamento será de 69,9 bilhões de reais, em montante praticamente idêntico ao indicado por pesquisa Reuters, que na última quarta-feira informou que economistas de mercado previam um contingenciamento de 70 bilhões de reais.

De acordo com a segunda fonte, o elevado corte, o maior já feito, visa convencer investidores de que Dilma está comprometida em garantir a manutenção do rating em grau de investimento do país.

Apesar do contingenciamento expressivo, a maioria dos analistas acredita que ele não será suficiente para ajudar o governo a cumprir a meta de superávit primário, a economia feita pelo governo para pagamento de juros da dívida pública.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante evento em São Paulo. 30/03/2015 REUTERS/Paulo Whitaker