Suzano testa celulose tipo fluff com clientes e avalia vendas no Brasil e no exterior

sexta-feira, 22 de maio de 2015 17:59 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Suzano Papel e Celulose, que está investindo 30 milhões de reais para começar a produzir no Brasil celulose tipo "fluff", usada em fraldas e absorventes, está na fase de implementação do projeto e otimista com os testes do produto, enquanto avalia o mercado doméstico e o internacional para decidir onde vai alocar a produção.

A companhia está apostando que terá vantagem na fabricação local, já que no momento todo o consumo brasileiro do insumo é importado, principalmente do sul dos Estados Unidos. Segundo dados do serviço de informações especializado no setor Risi, com os quais a Suzano trabalha, o Brasil consumiu 292 mil toneladas do insumo em 2014, volume que deve crescer 4,3 por cento ao ano nos próximos cinco anos.

"Aqui no Brasil vai haver uma vantagem com a fibra local, deve trazer mais competitividade de logística e de impostos", disse Juliana Andreotti, coordenadora do projeto Eucafluff, como foi apelidado a celulose fluff produzida pela empresa. Ganhos com variação cambial não devem ser registrados, já que o insumo é cotado a preços internacionais.

O gerente executivo de inovação da Suzano, Fábio Figliolino, conta que o foco agora é consolidar no mercado a celulose fluff produzida a partir da fibra curta, substituindo a tradicional fibra longa importada e superando certa resistência inicial de clientes ao novo produto.

Ao longo de cinco anos de desenvolvimento de sua celulose fluff de fibra curta, a Suzano conseguiu um produto que é capaz de substituir 70 por cento da fibra longa na fabricação de absorventes. No caso de fraldas infantis, o percentual ficou entre 30 e 50 por cento.

"O que nos deixou animados é que essas porcentagens foram conseguidas sem ser necessária modificação de equipamentos dos clientes, foram simplesmente ajustes. Para usar esse percentual, o fabricante não precisa investir", disse Figliolino.

Ainda é difícil dizer se um dia poderá haver a substituição total, mas isso pode ocorrer, segundo o executivo. Por enquanto, os produtos ainda exigem um percentual de fibra longa na fabricação.

"No início você faz um 'mix'. Estamos fazendo com fluff o que fizemos com papel para imprimir e escrever e 'tissue' (sanitário). E hoje as fabricantes utilizam fibra curta", disse.   Continuação...