Inadimplência sobe no Brasil em abril em meio a aumento nos juros

quarta-feira, 27 de maio de 2015 12:18 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A inadimplência no mercado de crédito brasileiro subiu em abril, ao mesmo tempo em que a taxa de juros média avançou num mês que registrou tímido aumento do estoque total de financiamentos, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira.

Em meio à franca desaceleração econômica e do mercado de trabalho, o estoque total de crédito no Brasil teve variação positiva de apenas 0,1 por cento em abril sobre março, alcançando 3,061 trilhões de reais, o equivalente a 54,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em março, o crédito representava 54,8 por cento.

No segmento de recursos livres, que conta com taxas de juros livremente definidas pelas instituições financeiras, a inadimplência subiu a 4,6 por cento em abril, quebrando estabilidade da taxa em 4,4 por cento nos três meses anteriores.

Ao mesmo tempo, a taxa de juros no segmento avançou a 41,8 por cento ao ano, contra 40,9 por cento em março, em meio ao ciclo de aperto monetário conduzido pelo BC para combater a inflação, que no acumulado de 12 meses encerrados em abril chegou a 8,17 por cento, bem acima da meta do governo de 4,5 por cento ao ano, com margem de dois pontos para mais ou para menos.

No fim de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juro Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25 por cento ao ano, com o mercado esperando outro aumento pela frente diante de sinalizações do BC de que os avanços no combate à alta de preços seguem insuficientes.

O segmento de recursos direcionados, no qual as operações contam com taxas ou recursos definidos por normas do governo, sentiu iguais reflexos: enquanto a inadimplência foi a 1,2 por cento em abril contra 1,1 por cento em março, a taxa de juros avançou a 8,7 por cento ao ano, contra 8,4 por cento no mês anterior.

O spread bancário aumentou em abril para 29,3 pontos percentuais no segmento livre, acima dos 28,2 pontos percentuais de março. No segmento direcionado, também houve crescimento, com o spread passando de 2,7 para 2,9 pontos percentuais.

(Por Marcela Ayres)

 
31/07/2014. REUTERS/Pilar Olivares