TCU barra licitação de gasoduto do Comperj por indício de sobreavaliação

quarta-feira, 27 de maio de 2015 19:53 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira barrar o processo de licitação do gasoduto Itaboraí-Guapimirim, projetado para servir ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), por indício de sobreavaliação.

O Comperj, envolvido em denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato, receberá uma refinaria da Petrobras. Já a licitação definiria o construtor do gasoduto, pela nova Lei do Gás. A estatal petroleira atuará apenas como carregadora do produto, sem participação na construção do duto.

A decisão de plenário acatou uma proposta do relator do processo, o ministro Vital do Rêgo, que apontou, dentre outras questões, que o custo estimado para o gasoduto estava acima de parâmetros conhecidos pelo mercado.

Segundo Rêgo, o custo apontado para o gasoduto de 11 quilômetros era de 165 dólares por metro x polegada, quando, segundo ele, o próprio governo federal adota como referência um custo menor, de 80 dólares por metro x polegada.

"O leilão do gasoduto do Comperj seria o primeiro da Lei do Gás e não podemos começar errado", afirmou Rêgo a jornalistas.

O projeto será licitado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Procurado, o órgão regulador não comentou a informação imediatamente.

O acórdão do TCU sobre o caso menciona que a decisão foi tomada "tendo em vista o lapso de informações necessárias a respaldar um julgamento de mérito sobre a adequabilidade do primeiro estágio de acompanhamento da concessão".

O tribunal afirma que o processo de licitação seguirá parado até que sejam superadas questões como "elisão dos indícios de sobreavaliação dos custos de investimento atrelados à construção, haja vista ter sido constatado que o valor global estimado para a obra encontra-se acima de referenciais paramétricos...".

Além disso, o tribunal pede "manifestação expressa" da Petrobras quanto ao interesse de prosseguir com a concessão, "e quanto ao cronograma de implantação a ser considerado para o gasoduto, tendo em vista revisão de seu plano de investimentos e a necessidade de sincronizar a operação do referido empreendimento com a conclusão de outras obras a cargo da estatal, como a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj e o Rota 3 do Pré-Sal".   Continuação...