Lava Jato trava programa de apoio a fornecedores da Petrobras

quinta-feira, 28 de maio de 2015 17:15 BRT
 

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A crise desencadeada pela Operação Lava Jato praticamente paralisou o Progredir, um programa da Petrobras para agilizar e ampliar a oferta de serviços e reduzir o custo de financiamentos de capital para fornecedores, de acordo com dados obtidos pela Reuters com uma fonte da empresa e avaliações de especialistas.

Por meio do programa, empresas da cadeia de suprimentos da Petrobras podem obter empréstimos junto a bancos parceiros, tendo como garantia os contratos de fornecimento de bens e serviços assinados com a companhia.

Neste ano até abril, o programa realizou apenas 33 operações de financiamento, somando 150 milhões de reais, montante ínfimo quando comparado com anos anteriores, segundo a fonte da empresa.

Criado em junho de 2011, o Progredir havia possibilitado até dezembro do ano passado quase 2 mil operações, com um total de 9,39 bilhões de reais em financiamentos, segundo a fonte, que forneceu as informações na condição de anonimato.

"Hoje, enquanto a Petrobras não se ajustar, não é uma boa garantia, porque muitos contratos com a Petrobras foram cancelados, quem entrou lá atrás com o contrato como garantia, perdeu", comentou o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e diretor da consultoria DZ Negócios com Energia, David Zylbersztajn, ao ser consultado pela Reuters.

"Enquanto não houver segurança de performance dos contratos, dificilmente um contrato com a Petrobras vai servir como garantia", completou.

O Progredir era motivo de orgulho para a Petrobras, que periodicamente divulgava resultados alcançados. Atualmente, a empresa tem evitado falar sobre o tema com a imprensa.

Em um comunicado de junho de 2013, antes da eclosão do escândalo de corrupção de desvio de dinheiro em contratos de fornecedores com a Petrobras, a empresa anunciou que por meio do Progredir a redução do custo dos empréstimos para os fornecedores da Petrobras variava de 20 a 50 por cento.   Continuação...