Economistas alertam para risco de alta excessiva do juro no Brasil

quinta-feira, 28 de maio de 2015 21:09 BRT
 

Por Silvio Cascione e Walter Brandimarte

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Banco Central corre o risco de prejudicar desnecessariamente a economia brasileira se continuar a subir os juros nos próximos meses.

Economistas de sete dos principais bancos do país demonstraram em conversas recentes com a Reuters desconforto com a possibilidade de que a taxa básica Selic suba além do atual patamar de 13,25 por cento ao ano.

Embora as expectativas de inflação continuem acima do centro da meta de 4,5 por cento para o fim de 2016, há dúvidas sobre a confiabilidade dos modelos estatísticos usados para as projeções, que podem estar subestimando o efeito do aumento do desemprego sobre os salários e os preços de serviços.

Em vez de continuar a subir os juros, o BC deveria coordenar as expectativas de inflação, sinalizando com mais clareza que não pensa em reduzir a Selic no futuro próximo, disseram os economistas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana e deve elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano. Com base na comunicação atual do BC, vários economistas acreditam que a Selic pode continuar subindo em julho e setembro, chegando talvez a 14,50 por cento.

A continuidade da alta dos juros contrasta com a piora da economia. Em abril, a taxa de desemprego subiu a 6,4 por cento e quase 100 mil postos de trabalho foram fechados.

"Já tem uma pressão (inflacionária) muito fraca por conta da recessão. Nesse sentido, (subir os juros) é um exagero", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, em São Paulo.

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, afirmou recentemente no Twitter que o discurso de continuidade da alta dos juros diante do aumento do desemprego é "caricato".   Continuação...

 
Funcionário inspeciona notas de 100 reais na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. 23/08/2012 REUTERS/Sergio Moraes