Ainda sem definição, indústria da construção civil aguarda por alento do Minha Casa Minha Vida 3

quinta-feira, 28 de maio de 2015 19:17 BRT
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria da construção civil vê a terceira fase do Minha Casa Minha Vida como capaz de trazer algum alívio para as empresas do setor que passa por milhares de demissões e queda de vendas e lançamentos, mas quase um ano depois do anúncio da nova edição, os detalhes do programa habitacional federal ainda não foram definidos.

"O setor está na realidade frustrado e muito preocupado. Porque nós imaginávamos que o programa Minha Casa Minha Vida não passaria por dificuldades orçamentárias", disse o vice-presidente de habitação econômica do sindicato de habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flávio Prando.

Segundo Prando, se o programa não começar muito rapidamente, será quase "impraticável" alcançar a meta prometida pela presidente Dilma Rousseff de 3 milhões de habitações até o final de seu mandato. A presidente anunciou a nova fase, que ainda não entrou em operação, em 3 de julho do ano passado.

De outubro a março, foram fechados mais de 268 mil postos de trabalho apenas no segmento de construção habitacional, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

"Se isso (o lançamento do MCMV3) acontecer rapidamente, eu acredito que o setor tem como reverter este profundo desânimo que existe. Quanto mais tempo passar, mais demissões vão ocorrer, mais difícil será a retomada do setor", disse Prando.

A expectativa da indústria agora é de que um anúncio seja feito ainda no início de junho, depois que o governo federal anunciou os cortes no Orçamento de 2015 na semana passada, reduzindo os recursos do Minha Casa Minha Vida para cerca de 13 bilhões de reais, ante 18,6 bilhões reais.

Apesar do corte de quase 6 bilhões de reais, agentes do setor afirmaram que ainda não é possível mensurar a amplitude do impacto da contenção de gastos.

Procurado, o Ministério das Cidades disse em nota que o detalhamento da terceira etapa ainda está em discussão no governo federal e com os principais parceiros - movimentos sociais, empresários da construção e poderes públicos locais.   Continuação...