PIB brasileiro cai 0,2% no 1º tri; investimento tem maior sequência de queda da série

sexta-feira, 29 de maio de 2015 12:18 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Flavia Bohone

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira encolheu 0,2 por cento de janeiro a março ante os últimos três meses do ano passado, com os investimentos caindo novamente e registrando a maior sequência negativa da série histórica.

A retração de 0,2 por cento do PIB no primeiro trimestre deste ano foi a primeira queda trimestral desde o segundo trimestre de 2014, quando a economia encolheu 1,4 por cento.

Apesar de ruim, o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira veio melhor do que a mediana das previsões de analistas, que esperavam retração de 0,5 por cento, segundo pesquisa Reuters.

Os números, no entanto, reforçaram as expectativas de uma queda mais pronunciada no segundo trimestre, o que colocaria o país em recessão técnica.

"Os dados do segundo trimestre muito provavelmente serão negativos, o que irá confirmar que o Brasil está em recessão de novo", disse o chefe de Pesquisa de Mercados Emergente da TD Securities, Cristian Maggio, em Londres.

Na análise dos setores da economia, o desempenho positivo da agropecuária evitou uma queda mais forte do Produto Interno Bruto (PIB) neste início de ano. O setor teve expansão de 4,7 por cento nos três meses até março sobre o trimestre imediatamente anterior, no período em que começou a ser colhida safra recorde de grãos no país.

"O quarto trimestre é de entressafra (nas principais culturas). Essa alta (do setor agropecuário) no primeiro trimestre é o efeito da colheita da safra de grãos que começa no fim de dezembro", disse o diretor da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo.

O consumo das famílias caiu 1,5 por cento no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses do ano passado, o maior recuo desde o último trimestre de 2008, período de crise global, quando a retração foi de 2,1 por cento.   Continuação...

 
Pessoas olhando ofertas de emprego no centro de São Paulo.  22/08/2014   REUTERS/Paulo Whitaker