Dólar avança 5,8% ante real em maio, mas pode ter alívio no curto prazo

sexta-feira, 29 de maio de 2015 20:03 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira e encerrou maio com avanço, diante de expectativas de que o Banco Central continue no mês que vem com sua política de reduzir a intervenção no mercado de câmbio.

A moeda norte-americana subiu 0,74 por cento, a 3,1873 reais na venda, maior nível de fechamento desde 31 de março, quando foi a 3,1909 reais. Em maio, a divisa acumulou avanço de 5,78 por cento, no oitavo mês de valorização dos últimos nove meses.

O giro financeiro ficou em torno de 1,4 bilhão de dólares nesta sessão, segundo dados da BM&F.

Segundo analistas, a pressão cambial tende a continuar no médio prazo, à medida que se aproxima o aumento de juros nos Estados Unidos e diante da menor atuação do BC. No entanto, alguns veem espaço para alívio no curto prazo.

O BC tem afirmado repetidamente que o estoque de swaps cambiais já atende à demanda por proteção do mercado financeiro brasileiro, alimentando expectativas de que pode rolar cada vez menos contratos daqui para frente. Neste mês, a autoridade monetária rolou cerca de 80 por cento dos contratos que vencem no dia 1º junho.

"Eu não me surpreenderia se o BC acelerasse a desmontagem dessa política (de swaps cambiais)", afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. "É óbvio que quando você anuncia o fim do programa, você gera volatilidade, mas a alta do dólar é um movimento global e cíclico, não faz sentido manter o programa."

Depois do fechamento do mercado, contudo, o BC indicou que manterá o ritmo de intervenção no câmbio no próximo mês, ao anunciar que irá ofertar 7 mil contratos de swaps na segunda-feira, dando início a rolagem do lote que vence em 1º de julho. Se mantiver essa oferta diária até penúltimo dia útil do junho, irá rolar cerca de 80 por cento do lote total equivalente a 8,742 bilhões de dólares.

A perspectiva de alta dos juros nos EUA vem pressionando o câmbio globalmente. Nesta sessão, contudo, a expectativa de que o banco central norte-americano deverá elevar os juros ainda este ano perdeu um pouco de força, após a maior economia do mundo contrair no primeiro trimestre.   Continuação...

 
Notas de reais e dólares REUTERS/Bruno Domingos