Petrobras emite US$2,5 bi em bônus de 100 anos, com rendimento de 8,45%, diz IFR

segunda-feira, 1 de junho de 2015 19:53 BRT
 

(Reuters) - A Petrobras (PETR4.SA: Cotações) emitiu nesta segunda-feira 2,5 bilhões de dólares em um raro título de 100 anos, pagando um rendimento de 8,45 por cento ao investidor, na primeira investida da companhia no mercado internacional de capitais desde o estouro da Operação Lava Jato, informou o IFR, serviço da Thomson Reuters.

O novo título carrega um cupom de 6,85 por cento e foi vendido a 81,07 por cento do valor de face. O título saiu com um spread de 549,3 pontos básicos acima dos títulos de referência do Tesouro dos Estados Unidos. A demanda superou 13 bilhões de dólares, segundo fontes do IFR.

O rendimento ficou abaixo do preço inicial em discussão de 8,85 por cento e no piso da orientação para o yield de 8,55 por cento, mais ou menos 10 pontos básicos. Mas ainda oferece um spread em relação a curva de rendimento dos títulos de 30 a 100 anos do México, único país da América Latina que lançou nos últimos anos títulos de 100 anos.

A emissão acabou ficando acima do intervalo esperado, de 1 bilhão a 2 bilhões de dólares, segundo fontes contatadas pelo IFR.

A rara emissão de 100 anos chamou a atenção, mas alguns questionaram se a empresa, que ficou fora do mercado de capitais por mais de um ano, não estava sendo muito ambiciosa ao optar por um vencimento tão longo.

A Petrobras, que ainda se recupera de um grande escândalo de corrupção, busca dar uma indicação forte sobre a sua capacidade de crédito com o primeiro lançamento de um título corporativo de 100 anos da América Latina em quase 20 anos, de acordo com dados IFR.

"A ideia é fazer um movimento ousado", afirmou mais cedo uma fonte do setor bancário. "Fazer algo que só tem sido feito por um seleto grupo mostra força."

As taxas apresentadas são bastante atrativas para os investidores, disse a analista da corretora Concordia Karina Freitas.

"Pouco mais de um ano atrás, a Petrobras vinha captando com taxas que eram praticamente a metade disso", frisou Karina.   Continuação...

 
Logotipo da Petrobras refletido na sede da companhia em São Paulo. 23/04/2015 REUTERS/Paulo Whitaker