ENTREVISTA-Eldorado Brasil mira China e aumentos de preços com expansão da produção

quarta-feira, 3 de junho de 2015 11:50 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Eldorado Brasil prevê que o aumento da demanda da China e a extensão a tendência de alta do preço da celulose vão impulsionar as vendas de sua nova fábrica em Três Lagoas (MS), apesar da rival Fibria ter decidido também elevar a capacidade no município e da Klabin iniciar novo projeto em 2016.

Somando todos os projetos de expansão, a capacidade de produção anual de celulose no país deve subir em cerca de 5 milhões de toneladas entre 2016 e 2018. Mesmo assim, o presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich, está confiante no mercado.

"O preço da celulose vai continuar subindo (até 2018)", disse em entrevista à Reuters. "O mercado vai seguir crescendo, as entradas de capacidade são conhecidas e a capacidade mundial de implementar novos projetos está cada vez menor".

A empresa do grupo J&F prevê que sua segunda linha de produção comece a operar no primeiro semestre de 2018, adicionando 2 milhões de toneladas anuais à capacidade atual, de 1,7 milhão de toneladas.

Grubisich diz ver demanda expressiva da Ásia, para onde a Eldorado envia a maior parte de sua produção, principalmente na China, por conta do aumento da procura por papel tipo tissue, usado na produção de papel higiênico, toalhas de papel e guardanapos. O mercado global de celulose cresce de 1,4 milhão de toneladas a 1,6 milhão de toneladas por ano, grande parte por conta da China, disse.

"A gente olha mercado global sabendo que o crescimento está na Ásia e na China, mas tem um potencial enorme nos Estados Unidos e ainda tem potencial na Europa", disse Grubisich.

Em 2014, a Eldorado direcionou 39 por cento de suas vendas para a Ásia e 34 por cento à Europa. As vendas domésticas, que representam cerca de 10 por cento do total, devem permanecer neste patamar com a nova linha de produção.

Além de esperar crescimento na demanda, Grubisich afirma que a capacidade mundial de implantar novos projetos grandes deve ficar cada vez mais difícil. A construção de uma fábrica com 2 milhões de toneladas de capacidade anual hoje exige 200 mil hectares de terra para fornecimento de madeira, calculou.   Continuação...