Com novo modelo de financiamento do BNDES, Levy ataca dependência de subsídios

sexta-feira, 5 de junho de 2015 19:26 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, criticou nesta sexta-feira a dependência de empresas por juros subsidiados e afirmou que o governo está mudando a forma de financiamento do setor privado no Brasil.

Ao oficializar o novo modelo de concessão de empréstimos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que condiciona a tomada de recursos atrelados à TJLP por grandes empresas ao uso de instrumentos de mercado de capitais, Levy disse que o modelo de estímulo ao investimento baseado em crédito barato está ultrapassado.

"Ainda há apreço atávico de inúmeros setores por mecanismos de financiamento do passado", disse o ministro a jornalistas.

Pelas novas regras, empresas com receita bruta anual acima de 1 bilhão de reais e que tomarem a partir de 200 milhões de reais no BNDES só terão direito a usar a taxa subsidiada do banco, se emitirem debêntures ou outros papéis no mercado.

A mudança, que já havia sido anunciada há cerca de 40 dias, passa a valer na semana que vem. A expectativa do BNDES é que sua participação no financiamento de projetos de longo prazo das grandes corporações caia para metade do montante recente.

Os comentários de Levy são uma crítica indireta ao modelo usado pelo governo federal nos últimos anos, com constantes injeções de recursos do Tesouro Nacional no BNDES, para que este repassasse recursos ao setor privado, grande parte deles referenciados na TJLP, hoje em 6 por cento.

De 2008 a 2014, o volume de empréstimos dos BNDES dobrou para cerca de 190 bilhões de reais.

O novo formato vem a reboque do esforço do governo para ajustar as contas públicas e controlar a inflação.

Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, à medida que a confiança dos agentes do mercado no sucesso desses ajustes ganhe força, isso impulsionará o mercado de capitais.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante evento em Brasília, em maio. 05/05/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino