IPCA sobe 0,74% em maio, acima do esperado, com energia elétrica e alimentação

quarta-feira, 10 de junho de 2015 11:23 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira surpreendeu e acelerou a 0,74 por cento em maio na comparação mensal, pressionada pelos preços de energia elétrica e alimentação, e em 12 meses continua no nível mais alto em mais de 11 anos.

Os resultados vieram mesmo após a sequência de altas dos juros feita recentemente pelo Banco Central para domar a escalada dos preços e colocam mais pressão sobre a autoridade monetária.

No mês passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou mais força do que se esperava após alívio em abril, quando subiu 0,71 por cento, ficando bem acima até mesmo da expectativa mais alta em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,64 por cento em maio.

Com isso, em 12 meses, o índice subiu 8,47 por cento, ante 8,17 por cento até abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. É a maior taxa acumulada desde dezembro de 2003, quando o IPCA chegou a 9,30 por cento, e acima da expectativa de 8,32 por cento.

Assim, a inflação permanece bem acima do teto da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Na semana passada, o BC elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano, levando-a ao mesmo patamar de dezembro de 2008.

ENERGIA E "IGUARIAS"

O IBGE apontou que o principal responsável individual pelo resultado de maio do IPCA foi o preço da energia elétrica, após série de aumentos de impostos e tarifas do setor no início do ano. Com alta de 2,77 por cento no mês, o item respondeu por 0,11 ponto percentual do índice de maio. Com isso o grupo Habitação registrou alta de 1,22 por cento em maio, contra 0,93 por cento no mês anterior.   Continuação...

 
Funcionários descarregam abacaxis e transportam alimentos na Ceagesp. 25/02/2015 REUTERS/Nacho Doce