BC fala em "determinação e perseverança" contra inflação e indica juros maiores

quinta-feira, 11 de junho de 2015 11:17 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central endureceu o discurso nesta quinta-feira ao informar que há a necessidade de "determinação e perseverança" no combate à inflação, levando parte dos especialistas a acreditar que o atual ciclo de aperto monetário pode ser mais intenso do que o esperado.

Na ata da última reunião Copom, divulgada mais cedo, o BC reafirmou que os ajustes de preços relativos na economia fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015. E acrescentou que é preciso "determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos", frase que não havia mencionado na ata anterior.

Com isso, cresceram as apostas de que, em julho, quando o Copom se reúne novamente, a Selic será elevada novamente em 0,5 ponto percentual, e não em 0,25 ponto como esperava boa parte do mercado diante da atividade econômica debilitada.

Na semana passada, o BC elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto, a 13,75 por cento ao ano, mesmo patamar de dezembro de 2008, auge da crise internacional.

"Acho que o BC quer indicar um pouco mais de alta na Selic do que inicialmente se espera e/ou que pode levar mais tempo para reduzir a taxa de juros", afirmou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, para quem a expectativa de ajuste na Selic de mais 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom ganhou força, bem como a indefinição que virá em seguida.

No mercado de juros futuros, a ata do Copom levava a apostas quase totais de elevação de 0,50 ponto da Selic no mês que vem e dividiu as visões de mais uma alta de 0,50 ponto em setembro com uma de 0,25 ponto percentual que, até a véspera, era majoritária.

A ata levou em consideração dados anteriores à divulgação do IPCA de maio, na véspera, que surpreendeu e acelerou a alta a 0,74 por cento na comparação mensal, chegando a 8,47 por cento em 12 meses, maior taxa acumulada desde dezembro de 2003.

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Bandeira do Brasil do lado de fora da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino