Brasil precisa ajustar modelo de financiamento para deslanchar infraestrutura, diz Odebrecht

quinta-feira, 11 de junho de 2015 13:02 BRT
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Para deslanchar grandes projetos de infraestrutura, o Brasil precisa primeiro resolver questões antigas e não resolvidas com o pacote anunciado nesta semana, como a eficácia do modelo de financiamento, disse uma alta executiva da holding Odebrecht.

"Alguns velhos problemas, como o do project finance, não foram endereçados", disse a vice-presidente de Finanças da Odebrecht, Marcela Drehmer, em entrevista à Reuters. "Estamos aguardando respostas para o financiamento de projetos que já vencemos e ainda não saíram do papel".

Os comentários da executiva vêm após o governo federal ter lançado nesta semana a segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL) para construção de ferrovias, portos, rodovias e aeroportos.

Para a executiva, o sinalização de maior participação do mercado de capitais para financiar os projetos é bem vinda, mas a estruturação de garantias para essas operações precisa de ajustes, incluindo a participação do BNDES, ajustes regulatórios do Banco Central e o uso de um fundo garantidor.

Após lançar a primeira edição do PIL, em 2012, o governo criou a ABGF, órgão que deveria atuar como garantidor para o financiamento dos projetos. Mas a entidade, ligada ao Ministério da Fazenda, não recebeu a capitalização necessária.

De acordo com a executiva, também falta ao governo dizer como vai incentivar o investidor comprar debêntures desses projetos, dado que a expectativa é de que o mercado de capitais responda por 10 a 15 por cento dos quase 200 bilhões de reais esperados para o PIL2.

Com o pacote, o governo tenta criar uma agenda positiva, enquanto o país caminha para a pior recessão em 25 anos, refletindo a baixa confiança de empresas e consumidores, uma política econômica mais restritiva e os efeitos da Lava Jato.

Os efeitos dessa operação, que investiga denúncias de corrupção na Petrobras, já levaram quatro grandes empreiteiras do país a pedir recuperação judicial, enquanto várias outras estão em dificuldades financeiras.   Continuação...