Prazo desafia leilão de termelétricas a gás chave para 2016, dizem analistas

quinta-feira, 11 de junho de 2015 13:37 BRT
 

Por Luciano Costa de Paula

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão exclusivo para contratação de termelétricas a gás, agendado para 3 de julho, tem sido visto como um desafio para os investidores devido ao pouco tempo disponível para implementação dos projetos, que precisam iniciar operação em janeiro de 2016 para reforçar o suprimento durante os picos de consumo do verão.

Com o prazo curto, que dificulta a negociação de contratos de gás e a busca por turbinas no mercado, especialistas têm dúvidas quanto à participação de usinas e apostam que a concorrência, se houver, deve ser limitada --o que levaria a mais um certame com pouco ou nenhum deságio em relação ao preço teto, desta vez estabelecido em 581 reais por megawatt-hora.

"Temos uma preocupação grande em relação aos prazos, com risco até mesmo de o leilão dar vazio ou ser um certame de um só candidato, sem deságios", afirmou o analista Bernardo Bezerra, da consultoria PSR, especializada no setor elétrico.

"Cinco meses para estar com a planta operando é muito apertado", reforçou o especialista Marco Antonio Velloso, ex-presidente da Associação Brasileira de Geração Flexível (Abragef).

Velloso estima que o mais adequado seria um período mínimo de entre seis e oito meses, mesmo considerando-se empresas que tenham projetos licenciados e turbinas já negociadas.

Ele também aposta que para cumprir o cronograma será necessário buscar no exterior turbinas que estejam à disposição no mercado para instalação imediata, provenientes de projetos atrasados ou postergados. A Ásia é uma das regiões em que os investidores têm feito cotações.

"É uma competição apenas para quem se preparou antecipadamente para conseguir oferecer as condições necessárias para colocar a usina nesse tempo curto", afirmou o consultor Luiz Alberto Amoroso, da Lalcam-MA, e ex-presidente do Conselho da Associação Brasileira de Geração Termelétrica (Abraget).

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