CEO da AES diz que debêntures de infraestrutura precisam ter questões equacionadas

sexta-feira, 12 de junho de 2015 14:55 BRT
 

Por Luciano Costa de Paula e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Ajustes para facilitar a emissão de debêntures de infraestrutura por empresas do setor elétrico podem ser necessários para facilitar as captações, disse o presidente do Grupo AES Brasil, Britaldo Soares, nesta sexta-feira.

Com a intenção de reduzir a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento de projetos, o governo divulgou que os empreendimentos que emitirem debêntures terão maior acesso a recursos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

"As debêntures de infraestrutura precisam de um processo ágil. Essa é uma preocupação central, que acho que também está no radar do governo", disse Soares à Reuters nesta sexta-feira.

"A aprovação dos projetos hoje é feita caso a caso. O ideal seria um processo automático, com regras claras, uma operação de mercado, sem ter que passar por aval de Ministério de Minas e Energia e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)", acrescentou ele.

Apesar disso, Soares disse acreditar que o setor conseguirá achar uma equação que favoreça as captações, principalmente devido ao realinhamento tarifário, que reduziu as preocupações de bancos comerciais em financiar as elétricas.

"A intensidade com que o BNDES financiava o setor já foi bem menor no passado, e ainda assim o mercado encontrava formas (de viabilizar os investimentos)."

Outro ponto levantado por Soares foi o prazo de vencimento das debêntures, que atualmente costuma ficar entre cinco e oito anos. "Quando entra um projeto de energia, estamos falando de projetos de 15, 20 anos. Então tem (uma necessidade de) refinanciamento no meio do caminho que coloca um risco. É impossível correr esse risco? Não, mas tem um custo".

O presidente do Grupo AES Brasil também comentou que o custo para captar dinheiro no mercado já tem caído para as elétricas devido a uma menor percepção de risco em relação ao início do ano. "Em algum momento essas taxas ficaram mais caras, mas depois isso se reduziu. Não temos tido qualquer restrição (para obter recursos)".

(Com reportagem adicional de Marcelo Teixeira)