Fusões e aquisições no setor elétrico ganham força com câmbio e crise de energia

segunda-feira, 15 de junho de 2015 14:32 BRT
 

Por Luciano Costa de Paula

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil já registra mais fusões e aquisições no setor elétrico neste ano, uma tendência que deve se repetir ao longo do segundo semestre, com grandes grupos internacionais e fundos de private equity aproveitando oportunidades no país em um momento de real desvalorizado e crise de oferta de energia, segundo especialistas.

O país somou 23 operações de fusões e aquisições entre janeiro e o início de junho, contra 19 registradas no primeiro semestre completo do ano passado, apontou levantamento da Pricewaterhousecoopers (PwC), com investidores de olho no preço da energia, que tem se mantido mais alto tanto no mercado de curto prazo quanto nos leilões realizados pelo governo, para entrega nos próximos anos.

A presença estrangeira tem crescido nos negócios, com participação em 44 por cento dos acordos fechados em 2015, contra 26 por cento em 2014, disse o sócio da PwC Brasil André Castelo, em entrevista à Reuters.

"As operações envolvendo energia eólica são o carro-chefe, respondendo por cerca de 30 por cento do total", ressaltou ele, referindo-se ao maior interesse de estrangeiros nesses ativos de energia renovável.

Castelo apontou o segmento de geração como o que mais atrai investidores, seguido por transmissão e distribuição.

Já o sócio da consultoria EY Marcos Quintanilha acredita que a retomada dos acordos é puxada por esses motivos pontuais do setor no país, e não está associada a um fluxo de maior otimismo com a economia do Brasil.

"O ano de 2014 foi muito fraco em termos de volume de transações, provavelmente por receio dos investidores em relação à estabilidade das regras e da regulação depois da Medida Provisória 579/12 e suas consequências", analisou.

Analistas e advogados especializados em fusões e aquisições ouvidos pela Reuters acreditam que empresas chinesas com presença no país podem fechar em breve novas aquisições nas áreas de geração e transmissão. Nesse segundo segmento, há também empresas espanholas de olho em negócios.   Continuação...