Déficit financeiro de hidrelétricas deve crescer no 2º semestre, projeta governo

segunda-feira, 15 de junho de 2015 16:14 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O déficit financeiro enfrentado por geradores hidrelétricos devido à seca terá impacto ainda maior no segundo semestre em função da estratégia adotada pelas empresas para distribuir a energia comercializada ao longo do ano, disse nesta segunda-feira o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata, durante evento em São Paulo.

O executivo indicou que o resultado da alocação de energia feita pelas empresas, um processo chamado de "sazonalização", faz com que a diferença entre a geração e os contratos de venda das usinas fique maior na segunda metade do ano, período em que o nível dos reservatórios tende a uma trajetória de retração. Para cumprir com os compromissos, as geradoras precisam contratar energia mais cara no mercado de curto prazo.

Segundo Barata, o governo tem conversado com associações do setor para equacionar o problema, que preocupa empresas que investem em hidrelétricas, como Tractebel, Cemig e CPFL.

"Vamos buscar uma solução ganha-ganha, para fazer com que ninguém saia perdendo demais", disse Barata.

O assunto está em discussão em audiência pública na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Ao mesmo tempo, o ministério também busca equacionar a situação de indústrias com alto consumo de eletricidade no Nordeste que compram energia subsidiada da Chesf em contratos que vencem em 30 de junho.

"Não posso adiantar, mas estamos em busca de uma solução que será boa para os consumidores e que não onere as outras partes", disse Barata.

Entre as empresas que possuem contratos com a Chesf, empresa do grupo Eletrobras, estão Gerdau, Vale, Braskem, Dow, Paranapanema, Ferbasa e Mineração Caraíba.

As empresas têm pressionado o governo para uma solução, preocupadas com o elevado preço da energia no mercado, muito acima dos 110 reais por megawatt-hora (MWh) que pagam hoje à Chesf.   Continuação...