Atraso nas compras de insumos preocupa na preparação da nova safra de soja

segunda-feira, 15 de junho de 2015 18:54 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As compras de insumos essenciais para a próxima safra de soja do Brasil, que começa a ser plantada a partir de meados de setembro, avançaram em junho, mas o ritmo segue mais lento em relação ao ano passado, o que levanta preocupação de que alguns negócios não se realizem e de eventuais problemas logísticos nas entregas, principalmente de fertilizantes.

"Este ano estão atrasadas as vendas de fertilizantes e também de sementes e defensivos", disse à Reuters o vice-presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas (Andav), Roberto Motta.

Segundo o executivo, que atua em Mato Grosso, nesta época do ano as vendas deveriam estar muito perto de concluídas. No entanto, o índice no Estado está entre 60 e 70 por cento.

Pela estimativa da Andav, pode haver também uma redução de 5 a 7 por cento no volume de fertilizantes aplicados na lavouras na nova safra, como estratégia dos agricultores para cortar custos.

"O travamento (fechamento de contratos) não aconteceu ainda porque não existe condição de mercado, o preço da soja é muito baixo", destacou o agricultor Adelmo Zuanazzi, de Sinop, no norte de Mato Grosso, relatando a situação em sua região.

O grande gargalo logístico para os insumos está na entrega de fertilizantes, que são movimentados em grandes volumes e precisam chegar às fazendas ainda na fase de preparação da terra para o plantio.

Encomendas realizadas tardiamente e concentradas provocam o risco de atrasos ou de fretes muito caros no momento da entrega.

"Se entrarmos em julho (com pedidos sendo realizados) podemos ter problemas de entregas de fertilizantes", disse Motta, da Andav.   Continuação...