Hidrelétricas estruturantes poderão receber socorro financeiro, diz Aneel

quarta-feira, 17 de junho de 2015 16:14 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estuda um socorro financeiro a projetos de hidrelétricas estruturantes, como Jirau e Santo Antônio, que têm sofrido prejuízos devido a um déficit de geração hídrica causado pela seca e pelo intenso despacho de termelétricas.

"Esses projetos estruturantes têm função estratégica, tanto para o setor elétrico quanto para o desenvolvimento social. É possível que o acionista perca dinheiro e não tenha lucro, mas não é razoável que o projeto não se concretize", disse o diretor da Aneel Tiago de Barros, antes de um evento da agência em São Paulo.

"É preciso uma forma de financiar o pagamento, porque não tem como pagar tudo à vista, para não quebrar o projeto. Se por algum motivo houver um problema de caixa que coloque o projeto em risco como um todo, a Aneel interviria", disse Barros.

A hidrelétrica de Jirau tem como sócia majoritária a Engie (antiga GDF Suez), controladora da Tractebel, além de Chesf e Eletrosul, ambas da Eletrobras, e Mitsui.

Já a usina Santo Antônio pertence a um grupo que inclui Cemig, Furnas (da Eletrobras), Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Barros, que é relator do processo sobre o déficit hídrico no regulador, vê as usinas da região Norte como "grandes demais para quebrar", devido aos valores envolvidos e à relevância dessas usinas para o cenário de oferta de energia.

Segundo ele, a importância dos projetos poderia viabilizar soluções como, por exemplo, um financiamento, que incluiria juros a serem pagos pelo investidor.

"Seria algo que deveria ser usado só para projetos estruturantes, casos diferenciados, em que o fracasso poderia colocar em risco a segurança do suprimento", afirmou.   Continuação...