18 de Junho de 2015 / às 15:52 / 2 anos atrás

FMI acaba com esperanças de período de carência em empréstimo à Grécia

Ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, e diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em Luxemburgo. 18/06/2015 REUTERS/Francois Lenoir

LUXEMBURGO/ATENAS (Reuters) - O FMI acabou na quinta-feira com qualquer esperança de que a Grécia poderia evitar um default se não pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros no final deste mês, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que não mostrou nenhum sinal de que irá se submeter às demandas dos credores.

Os ministros das Finanças da zona do euro foram a Luxemburgo para uma reunião que até há pouco tempo era vista como a chance final para se chegar a um acordo, mas qualquer expectativa em torno do fim do impasse tinha desaparecido quando Atenas descartou o encontro como um fórum para discutir novas propostas.

Enquanto isso, os bancos gregos viram os saques aumentarem para cerca de 2 bilhões de euros ao longo dos últimos três dias, com o ritmo de retiradas diárias triplicando desde o colapso das conversas com os credores no fim de semana, segundo três fontes bancárias.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, disse que a Grécia estará em default com o Fundo Monetário Internacional no dia 1o de julho caso não realize um pagamento em 30 de junho, pois não há período de carência ou possibilidade de adiar o pagamento.

“Não há período de carência ou adiamento de dois meses, como tenho visto em alguns lugares”, disse ela, falando antes da reunião de ministros das Finanças da zona do euro em Luxemburgo.

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que o acordo entre a Grécia e seus credores ainda é possível se Atenas demonstrar a vontade necessária, em meio ao pessimismo crescente de que o país atingido pela austeridade pode acabar despencando para fora da zona do euro.

Nenhum dos lados mostrou até agora qualquer sinal de que dará o braço a torcer, com credores insistindo que cabe à Grécia fazer concessões para assegurar um acordo de reformas em troca de recursos para que o governo possa honrar os pagamentos de dívida que se aproximam e evitar o default potencialmente desastroso.

Longe de ceder terreno, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, fez um novo ataque contra credores num artigo em um jornal alemão, criticando duramente o que chamou de “insistência cega” sobre cortes em pensões que segundo ele piorariam ainda mais a crise de seu país.

Ele iniciou ainda uma visita de dois dias à Rússia para participar de um fórum econômico em São Petersburgo, num momento de relações bastante tensas entre Moscou e a União Europeia.

Com líderes europeus e o banco central da Grécia alertando que uma possível saída da zona do euro está no horizonte, a bolsa de ações em Atenas tocou uma nova mínima de três anos.

“Ainda estou convencida: onde há uma vontade, há uma maneira”, disse Merkel a parlamentares de seu país, repetindo uma mensagem da semana passada. “Se aqueles que estão responsáveis pela Grécia puderem reunir a vontade, um acordo ... ainda é possível”.

Merkel enfrenta uma oposição crescente de dentro de seus conservadores sobre dar à Grécia quaisquer recursos de resgate a mais, com uma estreita maioria dos alemães se mostrando agora a favor de que a Grécia saia da zona do euro.

Após serem eleitos em janeiro com uma promessa de voltar atrás com a austeridade, o governo de esquerda de Tsipras vem relutando em relação a demandas por novos cortes em pensões e aumentos de impostos sobre produtos básicos como alimentos e eletricidade.

Atenas precisa superar o impasse até o final do mês, quando precisará pagar 1,6 bilhão de euros devidos ao FMI.

Os gregos têm sido espremidos por cinco anos de cortes orçamentários exigidos pela Comissão Europeia, o FMI e o Banco Central Europeu (BCE) em dois resgates. Porém, pesquisas de opinião sugerem que a maioria quer ficar na zona do euro.

Em um sinal de nervosismo crescente entre muitos gregos sobre o destino de seu país, manifestantes pró-euro vão realizar um protesto no centro de Atenas pedindo pelo fim do impasse.

Além disso, um grupo de empresários, incluindo operadores de turismo, fizeram um apelo a Tsipras para que ele chegue a um acordo com os credores. “A coisa mais importante é não sacrificar um grande feito nacional que é a participação da Grécia na zona do euro.”

Isso tudo um dia após manifestantes antiausteridade terem se reunido em apoio ao governo e contra as políticas propostas pelos credores.

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