FMI acaba com esperanças de período de carência em empréstimo à Grécia

quinta-feira, 18 de junho de 2015 14:42 BRT
 

Por Paul Carrel e Angeliki Koutantou

LUXEMBURGO/ATENAS (Reuters) - O FMI acabou na quinta-feira com qualquer esperança de que a Grécia poderia evitar um default se não pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros no final deste mês, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que não mostrou nenhum sinal de que irá se submeter às demandas dos credores.

Os ministros das Finanças da zona do euro foram a Luxemburgo para uma reunião que até há pouco tempo era vista como a chance final para se chegar a um acordo, mas qualquer expectativa em torno do fim do impasse tinha desaparecido quando Atenas descartou o encontro como um fórum para discutir novas propostas.

Enquanto isso, os bancos gregos viram os saques aumentarem para cerca de 2 bilhões de euros ao longo dos últimos três dias, com o ritmo de retiradas diárias triplicando desde o colapso das conversas com os credores no fim de semana, segundo três fontes bancárias.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, disse que a Grécia estará em default com o Fundo Monetário Internacional no dia 1o de julho caso não realize um pagamento em 30 de junho, pois não há período de carência ou possibilidade de adiar o pagamento.

"Não há período de carência ou adiamento de dois meses, como tenho visto em alguns lugares", disse ela, falando antes da reunião de ministros das Finanças da zona do euro em Luxemburgo.

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que o acordo entre a Grécia e seus credores ainda é possível se Atenas demonstrar a vontade necessária, em meio ao pessimismo crescente de que o país atingido pela austeridade pode acabar despencando para fora da zona do euro.

Nenhum dos lados mostrou até agora qualquer sinal de que dará o braço a torcer, com credores insistindo que cabe à Grécia fazer concessões para assegurar um acordo de reformas em troca de recursos para que o governo possa honrar os pagamentos de dívida que se aproximam e evitar o default potencialmente desastroso.

Longe de ceder terreno, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, fez um novo ataque contra credores num artigo em um jornal alemão, criticando duramente o que chamou de "insistência cega" sobre cortes em pensões que segundo ele piorariam ainda mais a crise de seu país.   Continuação...

 
Ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, e diretora-gerente do FMI,  Christine Lagarde, em Luxemburgo. 18/06/2015   REUTERS/Francois Lenoir