IPCA-15 e IBC-Br mostram economia frágil e colocam alerta sobre recuperação em 2016

sexta-feira, 19 de junho de 2015 15:03 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira entrou em uma bola de neve de atividade cada vez mais debilitada e inflação nas alturas, quadro de fragilidade que vem levando especialistas a piorarem repetidamente suas expectativas e a colocar em xeque a recuperação esperada para 2016.

Num intervalo de meia hora nesta manhã, foram divulgados dados sobre atividade e preços que reforçaram a cena sombria do país, que também vive um momento de forte fraqueza no mercado de trabalho.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou que a economia do país iniciou o segundo trimestre com contração pior do que o esperado, de 0,84 por cento, em abril sobre março.

O número é resultado da fraqueza disseminada entre os setores da economia, que sucumbem à persistente confiança baixa tanto de empresários quanto de consumidores. A produção industrial registra queda após queda e o varejo, outrora ponto forte, vem fraquejando a cada mês.

"Isso tudo coloca 2016 em alerta. Dificulta a economia se recuperar no ano que vem, porque afeta com muita força o mercado de trabalho, arrebenta com as finanças públicas e com isso as expectativas vão se deteriorando, tanto de atividade quanto de inflação", destacou o economista-chefe do Banco Fator José Francisco Gonçalves, que projeta contração do PIB de 1,7 por cento neste ano e crescimento de apenas 0,2 por cento em 2016.

A atividade econômica fraca não vem sendo o suficiente para conter a alta dos preços, que marca recordes sucessivos.

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) --prévia da inflação oficial do país-- subiu 0,99 por cento, a maior taxa para esse mês em quase duas décadas e bem acima do esperado.

"Estamos à mercê de choques. Existe uma reunião de choques que surpreendem consistentemente para cima", disse o economista do Banco Pine, Marco Caruso, sobre a alta dos preços.   Continuação...