Indústria de trigo do país projeta boa oferta no 2º semestre e menor demanda de importação

sexta-feira, 19 de junho de 2015 17:46 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil entra no segundo semestre com perspectivas de abastecimento satisfatório, com boa oferta da Argentina e uma safra doméstica recorde reduzindo a necessidade de importações, em um cenário bem menos turbulento que o registrado na segunda metade de 2014, disseram especialistas.

Há cerca de uma semana, a Argentina, tradicionalmente o principal fornecedor do Brasil, autorizou a exportação de uma cota adicional de 1 milhão de toneladas de trigo da temporada 2014/15, já colhida, elevando o volume autorizado de exportações para cerca de 4,7 milhões de toneladas.

"Boa parte dessa cota adicional vem para o Brasil. Nossa esperança é que governo argentino libere mais trigo. Eles têm disponibilidade (excedente exportável) de mais 3 milhões de toneladas", disse o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, um dos principais executivos do setor no Brasil.

O Brasil importa cerca de metade do trigo que consome.

A Argentina caminha para retornar à liderança do fornecimento para o Brasil, posto que foi perdido para os Estados Unidos em 2014, devido a restrições de embarques impostas pelo governo da presidente Cristina Kirchner.

Nos cinco primeiros meses de 2015, a Argentina forneceu 82 por cento do trigo importado pelo Brasil, contra 8 por cento dos EUA. No total de 2014, o trigo norte-americano representou 46 por cento do volume adquirido no exterior, contra 27 por cento do grão argentino.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou na quinta-feira que exportadores norte-americanos venderam 26 mil toneladas para o Brasil na semana encerrada em 11 de junho e embarcaram outras 33 mil toneladas. [EXP/WHE]

Contudo, este tipo de negócio não deverá ser frequente no segundo semestre, como foi em 2014.   Continuação...