Moody's coloca notas de Odebrecht e Andrade Gutierrez em revisão

sábado, 20 de junho de 2015 16:45 BRT
 

(Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's colocou em revisão para rebaixamento as notas de crédito de Odebrecht e Andrade Gutierrez, após a prisão do presidente das companhias devido a acusações de que executivos seriam protagonistas no esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras.

A Odebrecht é atualmente classificada em "Baa3" em escala global, classificação mais baixa dentro da categoria de grau de investimento, e "Aa1.br" na escala brasileira. Segundo a agência, a revisão da nota dependerá da capacidade da empresa de amparar suas operações enquanto se desenrolam as investigações, levando em conta que a Odebrecht atualmente tem liquidez para cobrir todas suas obrigações.

"Na medida em que as questões atuais possam ser esclarecidas e resolvidas sob o curso normal da Justiça, com implicações restritas ou gerenciáveis para os negócios domésticos e internacionais da companhia e para o seu perfil de liquidez, os ratings podem ser confirmados nos níveis atuais", afirmou a Moody's em comunicado.

"Por outro lado, os ratings... podem ser rebaixados se a Moody's perceber aumento dos riscos oriundos dessas investigações, tais como redução da liquidez para cumprir com o serviço das dívidas ou redução significativa no seu portfólio de projetos que resultaria prospectivamente em maior alavancagem e perfil de negócios enfraquecido".

A prisão de Marcelo Odebrecht integra nova fase da Operação Lava Jato, com foco em contas no exterior com pagamento de propina. No total, a investigação motivou até agora a acusação de mais de 100 pessoas e nomeou dezenas de políticos.

Sobre a Andrade Gutierrez, cujo presidente Otávio Marques de Azevedo também foi preso na nova fase da operação, a Moody's afirmou que colocou a nota global Ba2 em revisão para rebaixamento devido à percepção de aumento de risco de crédito para a empresa após as prisões.

"Apesar de as investigações ainda estarem em andamento e as sentenças e penalidades não terem sido determinadas, esses eventos podem afetar negativamente a execução das estratégias de crescimento da companhia no curto prazo", disse a agência em nota.

O escândalo fez com que diversas construtoras fossem bloqueadas de fazer negócios com a Petrobras e economistas dizem que essa situação tem piorado as perspectivas para a economia brasileira dado o peso relevante do setor de óleo e gás no Produto Interno Bruto (PIB).

(Por Bruno Federowski e Luciana Bruno)