BC vê menor déficit em transações correntes em 2015 com ajuda de economia fraca

segunda-feira, 22 de junho de 2015 13:46 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central melhorou nesta segunda-feira sua projeção para o déficit em transações correntes do Brasil em 2015 para 81 bilhões de dólares, mas o rombo, que vem sendo beneficiado pelo enfraquecimento econômico e pela dinâmica cambial, ainda não será coberto pelos investimentos diretos vindos de fora.

Até então, o BC via que o saldo negativo na conta corrente do país ficaria em 84 bilhões de dólares, e passou a enxergar agora menos saídas líquidas na conta de serviços e remessas mais modestas de lucros e dividendos.

Somente com gastos líquidos com viagens no exterior, o BC passou a ver saldo negativo de 14,5 bilhões de dólares neste ano, contra 16 bilhões de dólares esperados até então e 18,7 bilhões de dólares no ano passado.

Para remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no país, as contas são de 21 bilhões de dólares neste ano, 1,5 bilhão a menos do que a previsão passada e num recuo expressivo ante os 31,2 bilhões de dólares de 2014.

Ao mesmo tempo, o BC manteve suas contas sobre os Investimentos Diretos no País (IDP) --nova denominação para Investimentos Estrangeiros Diretos (IED)-- para o ano em 80 bilhões de dólares.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a mudança nas projeções ressalta uma tônica já observada nos cinco primeiros meses de 2015 e que deve se manter no restante do ano.

O déficit em transações correntes chegou a 35,8 bilhões de dólares de janeiro a maio, abaixo do resultado negativo em 44,9 bilhões de dólares de igual etapa de 2014.

"Isso reflete o ajuste macroeconômico em curso, em especial, no caso das transações correntes, a desvalorização da taxa de câmbio", apontou Maciel, ressaltando que, se de um lado o aumento do dólar desestimula as viagens para fora, de outro ele torna os resultados obtidos em reais por multinacionais menores quando convertidos para dólares.   Continuação...

 
Bandeira nacional vista fora da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino