Empresas chinesas têm forte atividade na Venezuela apesar de fábricas paradas

terça-feira, 23 de junho de 2015 11:03 BRT
 

Por Brian Ellsworth e Corina Pons

SAN FRANCISCO DE YARE, Venezuela (Reuters) - Cinco anos após a fabricante chinesa de eletrodomésticos Haier concordar em construir uma fábrica de 912 milhões de dólares na Venezuela, suas máquinas de lavar e geladeiras são praticamente as únicas disponíveis nas lojas de departamento do país.

Esses produtos, no entanto, não são feitos na Venezuela.

Em vez disso, são importados das fábricas da Haier na China e pagos por meio de um acordo de petróleo em troca de empréstimos que data de 2007, sob o qual a China empresta dinheiro e é paga em petróleo e combustível.

O custo de deixar a fábrica da Haier parada é suportado primariamente pelo governo venezuelano, pois sua construção foi financiada com 800 milhões de dólares emprestados da China.

Enquanto a maioria das empresas estrangeiras sofre os impactos dos controles cambiais e faltas de produtos na Venezuela, companhias chinesas como a Haier registram atividade em ritmo acelerado graças a acordos de cooperação que dão a elas acesso privilegiado à economia do país, mas que deixam os riscos de negócio nas mãos do governo.

Os empréstimos chineses -- cerca de 50 bilhões de dólares desde 2007 -- têm reforçado as finanças da Venezuela em um momento em que baixos preços de petróleo trouxeram receios sobre default e efetivamente tiraram o país dos mercados de capitais mundiais.