BC reduz pouco previsão de inflação para 2016 e indica mais alta de juros

quarta-feira, 24 de junho de 2015 09:54 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reduziu ligeiramente sua previsão sobre a inflação em 2016, ainda acima do centro do meta, argumentando que as expectativas para o próximo ano continuam não ancoradas, num sinal de que o aperto monetário deve ser mais intenso.

Pelo Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quarta-feira, o BC também repetiu que é necessário "perseverança e determinação" para combater a alta de preços na economia.

"As expectativas de inflação para o final de 2016 ainda mostram diferença relevante em relação à meta. Isso, a despeito da queda em comparação com os níveis observados no Relatório de Inflação de março e da significativa elevação das expectativas de inflação para o ano corrente", trouxe o documento.

"Esses fatos constituem um importante sinal sobre os efeitos da estratégia atual de política monetária", completou.

O BC passou a ver o IPCA a 4,8 por cento no próximo ano, sobre 4,9 por cento antes, ainda não atingindo os 4,5 por cento perseguidos no centro da meta, que tem margem de dois pontos percentuais para mais menos.

O mercado aguardava a divulgação do dado para calibrar suas expectativas em relação aos próximos passos do aperto monetário conduzido pelo BC, que vem repetidamente reiterando seu compromisso em levar o IPCA para o cento da meta.

A inflação surpreendeu em maio ao acelerar a alta a 0,74 por cento, acumulando em 12 meses 8,47 por cento. A prévia para o desempenho do índice em junho continuou mostrando pressão, com o IPCA-15 subindo 0,99 por cento neste mês, a maior alta em quase 20 anos.

Em meio ao persistente avanço nos preços, guiado principalmente pelo reajuste de preços administrados, o BC elevou a Selic em 0,5 ponto percentual no início do mês, a 13,75 por cento ao ano, na quinto ajuste consecutivo dessa magnitude.

Na ata da decisão, a autoridade monetária já havia endurecido o discurso ao afirmar que havia a necessidade de "determinação e perseverança" --palavras repetidas no relatório divulgado mais cedo-- no combate à inflação, o que acabou levando a maior parte dos especialistas a acreditar que o atual ciclo de aperto monetário poderia ser mais intenso do que o esperado.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino