BC reforça compromisso com IPCA em 4,5% em 2016 após enxergar índice ainda fora da meta

quarta-feira, 24 de junho de 2015 16:51 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central diminuiu levemente sua previsão para a inflação em 2016 e, com o patamar ainda acima da meta, reforçou diversas vezes que segue comprometido com um IPCA em 4,5 por cento até o fim do ano que vem, sugerindo aperto mais duro nos juros para concretizar a tarefa.

"No momento, o nosso trabalho está 200 por cento focado no nosso objetivo de trazer a inflação para 4,5 por cento no final de 2016", disse o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira da Silva, assinalando que a autoridade monetária fará "o que for necessário" para tanto.

Mais cedo nesta quarta-feira, o BC apontou em seu Relatório Trimestral de Inflação que passou a ver o IPCA a 4,8 por cento no próximo ano, sobre 4,9 por cento antes, ainda não atingindo os 4,5 por cento perseguidos no centro da meta, que tem margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Em coletiva de imprensa, Awazu reconheceu que os avanços obtidos no combate à alta de preços seguem insuficientes, mas disse que o ceticismo sobre a capacidade do BC de entregar a meta prometida reduziu para os horizontes mais longos.

Ele destacou que as expectativas para 2017 a 2019 já estão ancoradas em 4,5 por cento, ressaltando que o processo de "desinflação" é cada vez mais convergente para o centro da meta no ano que vem apesar da expressiva inflação corrente.

No relatório, o BC repetiu que é necessário "determinação e perseverança" para combater a alta de preços na economia e que a política monetária "deve manter-se vigilante", expressões que também foram ditas por Awazu em vários momentos.

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, o Relatório de Inflação reforçou a mensagem que "o BC só vai parar de subir juros quando as suas projeções de inflação apontarem para o centro da meta".

"Pela diferença entre o que está projetado e o centro da meta, me parece que a alta deve ir além da reunião (do Copom) de julho", disse.   Continuação...