Conflitos de interesses colocam fiscalização bancária do BC em xeque

quinta-feira, 25 de junho de 2015 18:03 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central vem enfrentando desafios na área de fiscalização em meio à saída de servidores experientes, com situações de conflito de interesse ameaçando comprometer o trabalho dos que seguem na instituição, relataram fontes ouvidas pela Reuters.

    Em 16 de abril, Irany de Oliveira Sant'Anna Júnior, funcionário de carreira do BC há mais de duas décadas, tomou posse como vice-presidente e diretor de Controle e Risco do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o Banrisul, assumindo posteriormente a presidência da Banrisul Consórcio.

    Quatro dias antes, ele respondia pela chefia-adjunta do departamento de Supervisão Bancária do BC, área onde teve por anos a missão de escrutinar justamente as operações do Banrisul, além de outros bancos da região Sul do país.

    A partida do funcionário se deu enquanto a equipe de supervisão do BC monitora a possível ocorrência de empréstimos vedados pelo Banrisul ao governo do Rio Grande do Sul, controlador da instituição, enxergando aumento no risco ao banco por deterioração das finanças do Estado.

    Sant'Anna Júnior, que também tornou-se membro do Conselho de Administração do banco gaúcho, segue nos quadros da autoridade monetária, cedido ao governo do RS.

    Com isso, ele goza de uma espécie de licença que permite que continue recebendo pelo BC. O Banrisul reembolsa a autoridade monetária por esse gasto e também paga um adicional ao executivo, completando remuneração mensal de cerca de 30,5 mil reais.

    Questionado sobre o suposto conflito, o BC afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que ainda que o Banrisul seja submetido à sua fiscalização e supervisão, a instituição é controlada pelo Rio Grande do Sul, "entidade integrante da administração pública, não havendo conflito de interesses no caso, já que não há interesse privado envolvido". 

    Listado em bolsa, o Banrisul tem cerca de 43 por cento de seu capital total em circulação no mercado. Entre os sócios privados estão as gestoras de recursos Skagen, The Boston Company Asset Management e BlackRock, a primeira com 15,4 por cento e as demais com cerca de 5 por cento cada uma do total de ações preferenciais do banco gaúcho.   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasília 15/1/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino