Dólar sobe quase 2% sobre o real; prisões da Lava Jato aumentam preocupações fiscais

quarta-feira, 25 de novembro de 2015 13:07 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava mais de 2 por cento e flertava com 3,80 reais nesta quarta-feira, após a prisão do líder do governo no Senado, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), e do presidente e controlador do BTG Pactual, André Esteves, aumentarem as preocupações com as medidas de ajuste fiscal que ainda precisam do aval no Congresso.

Às 12:56, o dólar avançava 1,90 por cento, a 3,7744 reais na venda, após subir a 3,8077 reais na máxima da sessão.

O avanço interrompia algumas semanas de tranquilidade no mercado de câmbio, quando o dólar chegou a cair abaixo de 3,70 reais embalado por aparente trégua no cenário político, que permitiu a aprovação de medidas importantes para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras.

"Dentro de uma calmaria que aconteceu em um pequeno espaço de tempo, apareceu uma incógnita... Temos que ver como isso vai se desenrolar em termos de travar a agenda legislativa, porque é o cenário político que motiva o prêmio de risco no Brasil", disse o sócio-gestor da Absolute Investimentos Roberto Campos.

A prisão de Delcídio e Esteves acontece no âmbito da operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção na Petrobras e em outras estatais.

Operadores temem que a prisão do senador sirva de novo impulso para travar votações no Legislativo e dificulte ainda mais o avanço do ajuste fiscal. A sessão de votações do Congresso Nacional marcada para esta manhã foi suspensa pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sendo que na pauta estavam a mudança da meta fiscal de 2015 e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016.

O Banco Central deu continuidade, pela manhã, à rolagem dos swaps cambiais, equivalentes à venda futura de dólares, que vencem em dezembro. Até agora, a autoridade monetária rolou o equivalente a 9,425 bilhões de dólares, ou cerca de 86 por cento do lote total, que corresponde a 10,905 bilhões de dólares.

Investidores também adotavam alguma cautela antes do feriado do Dia de Ação de Graças, que deixará os mercados norte-americanos fechados na quinta-feira. Os mercados brasileiros funcionarão normalmente, mas a ausência de investidores estrangeiros deve limitar a liquidez.

 
Nota de dólar vista em casa de câmbio no Rio de Janeiro.   24/08/2015    REUTERS/Ricardo Moraes