Dólar sobe mais de 1%, a R$3,75, após prisão de líder do governo alimentar preocupações fiscais

quarta-feira, 25 de novembro de 2015 17:11 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1 por cento e foi a 3,75 reais nesta quarta-feira, após a prisão do líder do governo no Senado, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), aumentar as preocupações com as medidas de ajuste fiscal que ainda precisam do aval no Congresso.

O dólar avançou 1,26 por cento, a 3,7506 reais na venda, mas chegou a disparar 2,80 por cento, para 3,8077 reais, na máxima da sessão.

O avanço interrompeu algumas semanas de tranquilidade no mercado de câmbio, quando o dólar chegou a cair abaixo de 3,70 reais embalado por aparente trégua no cenário político, que permitiu a aprovação de algumas medidas importantes para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras.

"Dentro de uma calmaria que aconteceu em um pequeno espaço de tempo, apareceu uma incógnita... Temos que ver como isso vai se desenrolar em termos de travar a agenda legislativa, porque é o cenário político que motiva o prêmio de risco no Brasil", disse o sócio-gestor da Absolute Investimentos Roberto Campos.

A prisão de Delcídio ocorreu no âmbito da operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção na Petrobras e em outras estatais. A ação também envolveu a prisão do presidente do BTG Pactual, André Esteves.

Operadores temem que a detenção do senador sirva de novo impulso para travar votações no Legislativo e dificulte ainda mais o avanço do ajuste fiscal. A sessão de votações do Congresso Nacional marcada para esta manhã foi suspensa pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sendo que na pauta estavam a mudança da meta fiscal de 2015 e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016.

Operadores ressaltaram, no entanto, que o impacto das prisões sobre a agenda legislativa não está clara e o maior pessimismo visto sobretudo pela manhã, quando a moeda norte-americana foi a 3,80 reais, pode ter sido exagerado.

Analistas consultados pela Reuters afirmaram que a prisão de Delcídio abala a confiança dos agentes econômicos no curto prazo, mas não acreditam que a detenção deve impedir as votações, em meio ao cenário de recessão profunda.   Continuação...