Indústrias consumidoras de aço prometem "guerra" contra alta do Imposto de Importação da liga

quarta-feira, 25 de novembro de 2015 18:56 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Associações de setores industriais que têm o aço como um de seus principais insumos prometeram nesta quarta-feira promover uma "guerra" contra uma possível elevação do Imposto de Importação que incide sobre a liga, afirmando que um aumento no tributo vai contribuir para a inflação e acentuar efeitos da retração da economia.

"Se o preço do importado sobe, o valor do similar nacional também vai acompanhar esse movimento", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza.

Além da Abimaq, assinam o posicionamento contra a elevação do imposto outras nove entidades, incluindo as dos fabricantes de material ferroviário (Simefre), eletroeletrônicos (Eletros), elétricos (Abinee) e construção (CBIC).

"Hoje, a alíquota de importação de máquinas é de 6,5 por cento, enquanto a do aço é de 8 a 12 por cento. Então, ao elevar ainda mais a do aço, a mensagem do governo é que é melhor nós importarmos máquinas. Estamos no movimento contrário, que seria estimular a indústria de transformação no Brasil", afirmou Pastoriza em nota à imprensa.

Mais cedo, o presidente do grupo siderúrgico Gerdau, André Gerdau Johannpeter, defendeu o aumento do imposto como forma de conter as importações do aço no país, em um ambiente de forte elevação das exportações da China que têm contribuído para deprimir os preços nos mercados internacionais.

Gerdau defendeu também como medida de apoio ao setor o retorno do mecanismo Reintegra, que incentiva exportações.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o governo federal pode elevar a alíquota do Imposto de Importação do aço para atender os interesses nacionais em meio ao excesso de oferta vivido globalmente pela indústria siderúrgica.

Segundo a Abimaq, o setor de máquinas e equipamentos seguiu encolhendo em outubro, com o faturamento líquido caindo 23,6 por cento sobre um ano antes, a 6,78 bilhões de reais, e o nível de emprego recuando 10 por cento, a 321,4 mil postos ocupados.

A entidade também afirmou que o consumo aparente, a soma das vendas internas da produção nacional mais importações, caiu 14,6 por cento em outubro sobre um ano antes, a 10,98 bilhões de reais, acumulando um recuo neste ano de 5,7 por cento.

(Por Alberto Alerigi Jr.)