Em decisão dividida, BC mantém taxa de juros em 14,25%

quarta-feira, 25 de novembro de 2015 22:21 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano pela terceira vez seguida, mas em uma decisão dividida, com dois membros do colegiado defendendo a elevação da Selic, em sinal de que um futuro aumento pode vir já no início de 2016.

Dos oito integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom), seis votaram pela manutenção da taxa, enquanto os diretores de Organização do Sistema Financeiro, Sidnei Marques, e de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, votaram pela elevação da taxa em 0,5 ponto percentual, para 14,75 por cento. Foi a primeira decisão sem consenso desde outubro do ano passado.

Em geral, o BC inicia ciclos de aperto monetário com altas mais brandas, de 0,25 ponto percentual. A inclinação de dois diretores por um passo mais agressivo reforça, para analistas, a visão de que a autoridade monetária estaria se preparando para subir os juros logo mais, mesmo diante da economia em recessão.

Para a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, a falta de unanimidade é sinal de que o BC poderá subir os juros já no início do ano que vem. Anteriormente ela previa que isso ocorreria em março.

"Como as projeções de inflação começam a passar do teto da meta em 2016, o BC se vê instado a agir. É uma sinalização de que pode ser que a primeira alta venha em janeiro", afirmou ela.

Em lacônico comunicado, o BC se limitou a dizer que avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu manter a taxa Selic. A decisão veio em linha com a previsão de pesquisa Reuters, que mostrou que 49 dos 50 economistas consultados apostavam na manutenção da Selic no maior patamar desde 2006.

O Copom suprimiu trecho do comunicado anterior em que assinalava que a manutenção dos juros no atual patamar, por período suficientemente prolongado, seria necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária.

"Quando você não fala mais do patamar, eu entendo que está autorizado a mudar esse patamar. E quando você não fala mais no horizonte relevante, é porque você tem uma mudança de postura mesmo, de perspectiva", avaliou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima, para quem há agora um claro viés do BC na direção da elevação dos juros.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante um evento do FMI e Banco Mundial em Lima, no Peru, em outubro. 08/10/2015 REUTERS/Guadalupe Pardo