ONU cobra mudança de postura da Vale, BHP e governo diante de desastre em Mariana

quarta-feira, 25 de novembro de 2015 20:55 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As medidas tomadas para evitar os danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), pelas acionistas da companhia, Vale e BHP Billiton, e pelo governo brasileiro foram "claramente insuficientes", disseram especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) na área de meio ambiente e resíduos tóxicos.

Em texto publicado na Internet nesta quarta-feira, os especialistas cobraram uma postura mais ativa das mineradoras gigantes e do governo, ressaltando que "este não é o momento para uma postura defensiva" por parte desses agentes.

"O governo e as empresas devem fazer tudo ao seu alcance para evitar mais danos, incluindo a exposição a metais pesados ​​e outras substâncias químicas tóxicas", enfatizaram o Relator Especial da ONU sobre os direitos humanos e meio ambiente, John Knox, e o Relator Especial sobre direitos humanos e substâncias e resíduos perigosos, Baskut Tuncak. 

O colapso da barragem despejou milhões de toneladas de lama em diversas cidades do país, devastando distritos, deixando mortos e desaparecidos e poluindo o importante Rio Doce.

Os relatores frisaram que uma nova evidência mostrou que o colapso da barragem continha altos níveis de metais pesados ​​tóxicos e outros produtos químicos tóxicos.

"Não é aceitável que tenha demorado três semanas para que informações sobre os riscos tóxicos da catástrofe mineira tenham chegado à tona", afirmaram os especialistas.

Knox ressaltou que a escala do dano ambiental é equivalente a 20 mil piscinas olímpicas de resíduos de lama, que contaminou o solo, rios e o sistema de água em uma área de mais de 850 quilômetros.

No entanto, até o momento, a Samarco e as suas acionistas têm negado que o rejeito seja tóxico.

"Esse material, proveniente do processo de beneficiamento do minério de ferro, é composto basicamente de água, partículas de óxidos de ferro e sílica (ou quartzo). Novos resultados de análises solicitadas pela Samarco, após o acidente, atestam que material analisado não apresenta periculosidade à saúde humana", disse a Samarco em nota à imprensa nesta quarta-feira.   Continuação...