Setor aéreo do Brasil tem em outubro desempenho mais fraco desde 2012, espera piora em 2016

quinta-feira, 26 de novembro de 2015 12:19 BRST
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - As companhias aéreas brasileiras tiveram em outubro o pior desempenho desde 2012, com a procura de passageiros interessados em voar pelo país caindo mais do que a redução de oferta pelas empresas, informou nesta quinta-feira a associação que representa o setor aéreo, Abear.

A demanda por voos domésticos no Brasil recuou 5,74 por cento em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, enquanto a oferta caiu 3,87 por cento, segundo os dados da entidade.

"O resultado é ruim e no ano que vem vai piorar. Nossa expectativa é a mais conservadora possível", disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, nesta quinta-feira. Ele afirmou que a entidade não vê cenário de melhora nos dados do setor em menos de 24 meses.

A retração da demanda corporativa com a fraqueza da economia e os maiores custos por conta do reflexo do dólar no combustível de aviação têm configurado um ambiente de difícil lucratividade para o setor, que vinha tentando estimular o passageiro a voar por meio de ações de marketing e redução de tarifas.

"A demanda vinha se mantendo até alguns meses atrás com crescimento baixo graças a ações de marketing, mas isso tem limite e aparentemente esse limite chegou. Hoje estamos vivendo um momento de preços médios muito baixos", disse o consultor técnico da Abear, Maurício Emboaba.

Para novembro, segundo Emboaba, os números devem continuar em queda, ao passo que, em dezembro, poderá se verificar baixa anual menor que a de outubro, porque o segmento de passageiros de lazer é estimulado com as férias de fim de ano.

Com isso, segundo o presidente da Abear, resta às empresas continuarem cortando voos, provavelmente de forma mais agressiva que o já anunciado, uma vez que a previsão é de que a economia brasileira continue fraca em 2016.

Sobre o pacote de medidas pedido ao governo para aliviar os custos da aéreas, Sanovicz disse que houve capacidade de diálogo, mas a resposta de Brasília foi “nenhuma”.   Continuação...