DIs sobem com força após Copom e mostram alta de 0,50 p.p. na Selic já em janeiro

quinta-feira, 26 de novembro de 2015 12:56 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos de juros futuros avançavam com força nesta quinta-feira e já precificavam alta de 0,50 ponto percentual na Selic em janeiro, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente, após o Banco Central manter a taxa básica de juros em 14,25 por cento na noite passada, mas em decisão dividida.

Dois integrantes do colegiado votaram a favor de aumento de 0,50 ponto na taxa agora, no primeiro dissenso desde outubro do ano passado. Além disso, o Copom suprimiu trecho do comunicado anterior de que a manutenção dos juros no atual patamar, por período suficientemente prolongado, seria necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária.

"É consenso, não só entre os dissidentes, que manter os juros em 14,25 por cento por muito tempo não é mais a estratégia recomendada. E os dissidentes já veem que o BC está atrás da curva", disse o estrategista da corretora Icap Juliano Ferreira.

Ele ressaltou que a piora cada vez mais acentuada das expectativas de inflação, que já veem estouro da meta do governo no ano que vem --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo-- dificulta ainda mais a missão do BC e incentiva aumentos da Selic.

"Eles (BC) sabem que sua capacidade de usar as ferramentas para afetar a inflação de 2016 é, considerando o intervalo de tempo em que age a política monetária, está chegando ao fim", escreveram em nota a clientes analistas do banco Brasil Plural.

Nesse contexto, operadores elevavam os rendimentos dos DIs de forma a mostrar novo ciclo de aumento da Selic a partir de janeiro, com alta de 0,5 ponto percentual. Segundo operadores, a curva mostrava também pelo menos mais duas elevações de 0,50 ponto e perspectivas menores de outra alta de 0,25 ponto em seguida, refletindo também o cenário de incertezas políticas e econômicas no Brasil.

"O cenário está muito dinâmico, o mercado vai ter muito prêmio de qualquer forma", afirmou o operador da corretora Renascença Thiago Castellan Castro. Ele acrescentou que a comunicação do BC na véspera gerou muitas incertezas para o mercado, mas reconhece que seria difícil ser diferente.

Os DIs mais longos registravam altas menores do que os contratos mais curtos, já que a política monetária mais firme no curto prazo pode abrir espaço para menos altas de juros no longo prazo. O contrato para janeiro de 2021 subia 0,13 ponto percentual, enquanto o vencimento em janeiro de 2017 subia 0,28 ponto. (Veja tabela)   Continuação...