Arsênio e mercúrio são encontrados no Rio Doce dias após desastre da Samarco

quinta-feira, 26 de novembro de 2015 17:21 BRST
 

Por Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Níveis ilegais de arsênio e mercúrio poluíram o Rio Doce nos dias após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, no início de novembro, em Mariana (MG), no pior desastre ambiental já registrado na história do Brasil, de acordo com testes realizados por uma agência estadual de água.

O Instituto de Gestão das Águas de Minas Gerais (Igam), chegou a encontrar níveis de arsênio mais de dez vezes acima do limite legal em um ponto do Rio Doce, depois do colapso da barragem em 5 de novembro, que matou pelo menos 13 pessoas e derramou uma lama espessa por diversas cidades do país.

Uma quantidade de mercúrio ligeiramente acima do nível permitido também foi encontrada em uma área.

No total, o Igam encontrou níveis inaceitáveis ​​de arsênio em um ou mais dias entre 7 de novembro e 12 de novembro, em sete trechos do Rio Doce, que se estende por 800 quilômetros de Minas Gerais ao Espírito Santo desaguando na costa atlântica.

O relatório, que tem a data de 17 de novembro, mas foi publicado no site do Igam apenas na terça-feira, após pressão do Ministério Público, parece contradizer afirmações feitas pelas empresas responsáveis ​​pela mina.

A Samarco, joint venture formada pela anglo-australiana BHP Billiton e pela brasileira Vale, tem dito repetidamente que a lama liberada pela barragem não é tóxica.

A Samarco disse em um comunicado nesta quinta-feira que seus próprios testes nos rejeitos da barragem mostraram que eles não representam qualquer risco para os seres humanos.

Na quarta-feira, a agência das Nações Unidas para os direitos humanos disse que novas provas mostraram que a lama "continha altos níveis de metais pesados ​​tóxicos e outros produtos químicos", sem especificar quais são os produtos químicos ou de onde vieram as evidências.   Continuação...

 
Um barco é fotografado no Rio Doce após o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, propriedade da Vale SA e da BHP Billiton,  em Santa Cruz do Escalvado, Brasil. 15/11/2015. REUTERS/Ricardo Moraes.