Governo central tem déficit primário recorde para outubro, de R$12,279 bi

quinta-feira, 26 de novembro de 2015 17:33 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) apresentou déficit primário de 12,279 bilhões de reais em outubro, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira, pior resultado para esse mês da série histórica iniciada em 1997, em meio à explosão de despesas previdenciárias.

No mês passado, os gastos do governo central chegaram a 99,075 bilhões de reais, alta real (descontada a inflação) de 2,9 por cento na comparação com o mesmo mês de 2014. Já a receita líquida somou 86,796 bilhões de reais, perda de 13,9 por cento na mesma base de comparação.

O resultado foi impactado pelo salto anual de 36,8 por cento nas despesas da Previdência, a 45,849 bilhões de reais, após o governo ter desembolsado a primeira parcela do 13º salário a beneficiários que recebem mais de um salário mínimo. No ano passado, isso ocorreu em setembro.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano, informou o Tesouro, o déficit primário do governo central atingiu 33 bilhões de reais, também o pior da série histórica iniciada há 18 anos.

De janeiro a outubro, os gastos atingiram 885,606 bilhões de reais, 3,3 por cento a menos do que o registrado no mesmo período do ano passado, em termos reais. No acumulado deste ano, a receita líquida foi de 852,506 bilhões de reais, queda de 5,6 por cento ante igual etapa de 2014.

As receitas neste ano vêm sendo afetadas pela queda na arrecadação, com a economia caminhando para a maior recessão em décadas.

O governo enfrenta resistências para aprovar série de medidas do ajuste fiscal no Congresso Nacional para equilibrar as contas públicas. O cenário pode ter ficado mais complicado após a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado.

Uma das medidas que precisa ser aprovada é a mudança da meta de superávit primário deste ano, que permite ao governo central registrar déficit de até 119,9 bilhões de reais. Ela seria apreciada em sessão do Congresso na quarta-feira, mas acabou adiada.   Continuação...