Projeção para inflação em 2017 piora; economistas já indicam que não veem Selic recuando

segunda-feira, 30 de novembro de 2015 09:41 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os economistas pioraram suas perspectivas para a inflação em 2017, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central nesta segunda-feira e, com a maior pressão inflacionária, o cenário para a taxa básica de juros já aponta que ela não irá mais cair ao longo do próximo ano.

Segundo o levantamento, a estimativa para a alta do IPCA em 2017 subiu 0,02 ponto percentual, a 5,12 por cento.

Para 2016, os economistas consultados mantiveram a perspectiva de que a inflação terminará o ano a 6,64 por cento, mas para 2015 houve alta de 0,05 ponto percentual na estimativa, alcançando 10,38 por cento. Em ambos os casos, a inflação estouraria o teto da meta.

Para 2015 e 2016, a meta do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Para a 2017 a meta também é de 4,5 por cento, mas com tolerância de 1,5 ponto percentual.

Diante das pressões inflacionárias, a perspectiva para a taxa básica de juros no final de 2016 passou a 14,13 por cento na mediana das projeções, contra 13,75 por cento antes, em um forte indício de que não é mais esperado afrouxamento da política monetária.

Na semana passada, o BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano pela terceira vez seguida, mas a decisão foi dividida, com dois membros defendendo a elevação, sinal de que futuro aumento pode vir já no início de 2016.

Os agentes econômicos aguardam agora a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para calibrar suas apostas.

Já em relação à atividade, a estimativa de contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 chegou a 3,19 por cento, sobre recuo de 3,15 por cento na semana anterior.

Para 2016, os especialistas consultados esperam agora retração de 2,04 por cento, contra queda projetada antes de 2,01 por cento.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.  23/09/2015    REUTERS/Ueslei Marcelino