Dólar dispara cerca de 2% e se aproxima de R$3,90, por turbulências políticas

segunda-feira, 30 de novembro de 2015 15:45 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a disparar cerca de 2 por cento nesta quinta-feira, perto de 3,90 reais, com investidores correndo para a segurança da moeda norte-americana diante de preocupações com o impacto da prisão do ex-presidente do BTG Pactual, André Esteves, sobre o mercado doméstico e com possíveis desdobramentos para o quadro político brasileiro.

Às 15:43, o dólar avançava 1,98 por cento, a 3,8990 reais na venda. A moeda norte-americana atingiu 3,9237 reais na máxima da sessão, maior nível intradia desde 29 de outubro, quando foi a 3,9574 reais.

No fim de semana, Esteves renunciou a todos os seus cargos no BTG após o Supremo Tribunal Federal (STF) mantê-lo preso por tempo indeterminado por suspeita de obstrução da operação Lava Jato, que investiga escândalo bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras.

A preocupação é de que mais denúncias possam surgir no campo político ou que o próprio BTG seja muito afetado, o que poderia obrigá-lo a desmontar posições no mercado e, assim, afetar a liquidez. Novas denúncias contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também se somavam ao quadro de incertezas.

"A volatilidade é a regra, não dá para ter grandes certezas", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Investidores também adotavam cautela antes da votação da meta de resultado primário deste ano, marcada para terça-feira no Congresso Nacional, em meio a turbulências após a prisão do ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS).

O dólar operou em alta durante toda a sessão, mas chegou a apresentar avanços bem menores na parte da manhã, batendo na mínima de 3,8347 reais do dia. Operadores atribuíram a volatilidade matutina à briga pela formação da Ptax de novembro, taxa calculada pelo BC que serve de referência para diversos contratos cambiais.

Outro motivo que teria levado o dólar a afastar-se das máximas do dia foi a atuação do Banco Central, embora esse movimento não tenha se sustentado pela tarde. A autoridade monetária fez nesta tarde leilão de venda de até 2,75 bilhões de dólares com compromisso de recompra, com fim de rolar as linhas que vencem em dezembro.

Além disso, o BC também dará início na terça-feira à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, sinalizando que deve repor integralmente os contratos, equivalentes a venda futura de dólares.

"O BC adotou a atitude correta. Ele quer evitar que o mercado engrene em um círculo vicioso de pessimismo como aquele que vimos há alguns meses", disse o operador de um banco internacional, referindo-se à escalada da moeda norte-americana em agosto e setembro, que levou o BC e o Tesouro Nacional a atuarem de forma conjunta no mercado.