MRV quer ganhar mercado no Nordeste e intensifica compra de terrenos até 2017

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015 09:47 BRST
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A MRV Engenharia vai intensificar a compra de terrenos no próximo biênio com foco na região Nordeste, aproveitando a crise do mercado imobiliário para pagar preços menores nas áreas, segundo um dos principais executivos da companhia. A construtora e incorporadora mineira destinará 150 milhões de reais em 2016 e 2017 --o dobro do biênio anterior-- para adquirir terrenos no Nordeste. Para todo o país, estão previstos 500 milhões de reais para esse fim, disse à Reuters o co-presidente da MRV Rafael Menin. O objetivo da empresa focada na população de baixa renda é ter uma maior participação de mercado no Nordeste, que representa 15 por cento dos negócios da companhia, e aumentar o lançamento de 7 mil para 9 mil apartamentos anuais, disse o executivo. Ele espera lançamentos relevantes no Nordeste, onde a empresa atua em 17 cidades, já no próximo ano.

"A gente fez um estudo potencial de todas as cidades onde a gente atua no Nordeste e podemos ultrapassar 20 por cento de participação nos nossos negócios, se os investimentos forem efetivos, no final do biênio ou um pouco antes", disse Menin.

Assim, a participação de mercado da companhia na região passaria dos atuais 20 por cento para um intervalo de 27 a 30 por cento em termos de vendas, estima o executivo.

O Nordeste é a região que tem mais espaço de crescimento para a MRV no Brasil, segundo o executivo, mencionando que as vendas no Triângulo Mineiro, no Estado de origem do grupo, são maiores do que em Salvador, umas das capitais mais importantes do país.

Menin disse que a MRV está mais agressiva na aquisição de terrenos no Nordeste para fortalecer um banco de terrenos "menos robusto" do que a empresa possui em outras localidades e aproveitando os preços mais baixos.

O recuo nas vendas e lançamentos imobiliários afetou o setor de terrenos. Com exceção de Rio de Janeiro e São Paulo, no resto do Brasil é possível, em alguns casos, encontrar no momento preços até 20 por cento mais baratos do que um ano atrás, segundo o executivo.

Para se posicionar como mais agressiva do que outras construtoras e incorporadoras, a MRV tem optado mais pelo pagamento de terrenos em dinheiro em vez de permutas.

"Quando a gente usa dinheiro, consegue qualificar o 'landbank' (banco de terrenos) com terrenos mais centrais, a legalização é mais rápida", disse o executivo.   Continuação...