Altistas da Opep pressionam por cortes na oferta; Rússia produz volume recorde

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015 18:22 BRST
 

VIENA (Reuters) - A Arábia Saudita tem enfrentado crescente pressão de seus parceiros na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para cortar produção e apoiar os preços, conforme o grupo se reúne nesta semana em meio a um dos maiores excedentes na oferta da commodity na história.

Há ampla expectativa de que a Opep mantenha suas políticas --imposta pelo ministro do petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi um ano atrás-- de defender a participação de mercado por meio da produção de volumes recordes para enfrentar rivais que produzem a custo maior.

Mas enquanto os sauditas podem reclamar uma vitória parcial contra o boom da exploração de petróleo não convencional nos Estados Unidos, a produção do maior rival de fora da Opep, a Rússia, manteve-se surpreendentemente em alta e mesmo integrantes do cartel como Iraque e Irã devem adicionar mais barris ao mercado.

Os estoques mundiais de petróleo estão em volumes recordes, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, disse nesta quarta-feira que seu país, um tradicional "altista" na Opep, vai pressionar por um corte de 5 por cento na produção para suportar os preços quando o cartel se reunir na sexta-feira. A Opep atualmente produz cerca de 1,7 milhões de barris por dia acima do teto.

O Irã também pediu aos membros da Opep que respeitem o teto de produção de 30 milhões de barris por dia. O país quer que a Opep esteja preparada para acomodar novos volumes quando as sanções do Ocidente contra Teerã forem retiradas no próximo ano.

Diversos delegados não-sauditas da Opep disseram à Reuters que esperavam que Naimi deveria ouvir outros membros, cujas finanças são mais limitadas que as de Riad, e precisam de um urgente apoio de preços de petróleo maiores.

"Espero que dessa vez seja diferente, mas duvido que vá ser", disse um delegado da Opep. Outra autoridade do grupo disse que ainda não viu indicação de que um acordo sobre cortes possa ser alcançado na sexta-feira.

(Por Alex Lawler e Vladimir Soldatkin)