Cunha aceita processo de impeachment e Dilma reage com "indignação"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015 22:03 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou nesta quarta-feira que aceitou pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que declarou "indignação" pouco depois de a decisão ser anunciada.

O pedido de impedimento elaborado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, com apoio da oposição, é baseado, entre outros pontos, nas chamadas "pedaladas fiscais", já condenadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e em indícios apontados pelo Ministério Público junto ao órgão de contas de que essas manobras tiveram continuidade neste ano.

"O embasamento disso (aceitação do pedido de abertura de processo de impeachment) é única e exclusivamente de natureza técnica, e a juízo do presidente da Câmara é única e exclusivamente de autorizar a abertura, não o de proferir o seu juízo de mérito", disse Cunha a jornalistas.

O deputado alegou lamentar "profundamente" o que estava acontecendo e disse não ter nenhuma "felicidade" no ato que estava praticando.

"Que o nosso país possa passar por esse processo, superar esse processo e que a gente possa com isso conseguir superar as nossas crises política e econômica sem eu fazer qualquer juízo de valor do mérito... A minha posição será a mais isenta possível", afirmou.

A decisão de Cunha foi anunciada no dia em que representantes do PT no Conselho de Ética da Câmara anunciaram que votarão pela continuidade do processo que pede a cassação do mandato do presidente da Casa, que é acusado de mentir à CPI da Petrobras (PETR4.SA: Cotações) por ter afirmado que não tinha conta bancária no exterior.

Com a aceitação do pedido, que se baseia na acusação de descumprimento da lei orçamentária, uma comissão de deputados será criada para emitir um parecer sobre a abertura efetiva ou não do processo de impedimento da presidente.

O parecer da comissão de deputados terá ainda de ser votado em plenário da Câmara e, em caso de decisão de abrir processo de impeachment, irá ao Senado, e Dilma será afastada do cargo até o julgamento.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff faz pronunciamento no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira. 02/12/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino